LAGUNA.

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domingo, 17 de julho de 2011

MARIA ANTÔNIA FAZ 8 ANOS


MARIA ANTÔNIA RODRIGUES RAMOS

CASIMIRO DE ABREU
MEUS OITO ANOS
Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida,
 
Da minha infância querida
 
Que os anos não trazem mais!
 
Que amor, que sonhos, que flores,
 
Naquelas tardes fagueiras
 
À sombra das bananeiras,
 
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias 
Do despontar da existência!
 
 Respira a alma inocência
 
Como perfumes a flor;
 
O mar - é lago sereno,
 
O céu - um manto azulado,
 
O mundo - um sonho dourado,
 
A vida - um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida, 
Que noites de melodia
 
Naquela doce alegria,
 
Naquele ingênuo folgar!
 
O céu bordado d'estrelas,
 
A terra de aromas cheia
 
As ondas beijando a areia
 
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância! 
Oh! meu céu de primavera!
 
Que doce a vida não era
 
Nessa risonha manhã!
 
Em vez das mágoas de agora,
 
Eu tinha nessas delícias
 
De minha mãe as carícias
 
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas, 
Eu ia bem satisfeito,
 
Da camisa aberta o peito,
 
 Pés descalços, braços nus -
 
Correndo pelas campinas
 
À roda das cachoeiras,
 
Atrás das asas ligeiras
 
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos 
Ia colher as pitangas,
 
Trepava a tirar as mangas,
 
Brincava à beira do mar;
 
Rezava às Ave-Marias,
 
Achava o céu sempre lindo.
 
Adormecia sorrindo
 
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida,
 
Da minha infância querida
 
Que os anos não trazem mais!
 
 Que amor, que sonhos, que flores,
 
Naquelas tardes fagueiras
 
A sombra das bananeiras
 
Debaixo dos laranjais!


postagem vovô Márcio