LAGUNA.

NÃO VERÁS LUGAR COMO ESTE.
AMA DE VERDADE
A TERRA EM QUE NASCESTE

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

REQUIEM PARA UMA CIDADE

CÂMARA MUNICIPAL DE LAGUNA ENTREGA PARAÍSO ECOLÓGICO  DO GRAVATÁ À ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA.

ESPERO QUE O PREFEITO EVERALDO SOS SANTOS TENHA BOM SENSO E CORAGEM DE VETAR ESSE ABSURDO.
(abaixo republico meu canto de luto, " Requiem para uma Cidade"


Foto Ana Barzan

Foto Ronaldo Amboni.

Réquiem para uma cidade
Márcio José Rodrigues

Minha querida cidade
Onde passei minha infância,
Onde colhi a fragrância
Dos dias da mocidade.

Onde plantei os meus sonhos,
Onde sonhei meus amores,
Onde, nas mãos de impostores,
Chegaram dias tristonhos.

Venho encontrar-te em desgraça
Abandonada na rua,
Miserável, pobre e nua
Em tua fria carcaça.

Ao teu cadáver,  a massa
Baixa os olhos, de vergonha,
Toda esta gente pidonha,
Indiferente, que passa.

O que fizeram contigo?
Quem te feriu desse jeito?
Quem rasgou assim teu peito
E te infringiu tal castigo?

Pobre,  mendiga cidade
Das ruas cheias de lixo,
Do " cidadão" que é um bicho,
Que te suga sem piedade.

Seu  caráter,  tão rameiro,
Que mesmo não sendo pobre,
Por umas moedas de cobre
Te vende por vil dinheiro.

Gente que se acha astuta
Faz do voto um rendimento,
Como o gigolô nojento,
Que vive da prostituta.

Só te sobrou esta escória
Para suster teu presente?
O que quer toda essa gente
Que te perdeu a memória?

Ao turvar este teu  brilho,
Ao te cavar teu jazigo,
Na mesma tumba, contigo,
Sepulta seu próprio filho.

Pois, quem mata sua terra,
O próprio destino sela:
Também vai morrer com ela
E a mesma cova o enterra.



terça-feira, 26 de novembro de 2013

LEITORES MIRINS NA ESCOLA PADRE AUGUSTINHO

                                                    Márcio José Rodrigues

Nossa Senhora atravessando o canal da barra no dorso do siri - painel aprox. 1,50  x 1,29 por alunos e professoras  da escola \padre Augustinho - Laguna, Brasil

Sábado último, à tarde, fomos, eu e o escritor Bonifácio Vieira, convidados para uma entrevista com alunos, pais e professores do Centro Educacional Infantil Padre Augustinho
Os alunos da Especialização em Letras e Língua Portuguesa da faculdade FUCAP de Capivari tiveram participação especial em importantes questões formuladas.
Em se tratando de uma instituição municipal desenvolvida a partir de uma creche que hoje se dedica a educação infantil de zero a 6 anos, surpreendeu-nos o trabalho pedagógico avançado que aquelas professoras realizaram com alunos de idade tão tenra para despertar-lhes o gosto precoce pela leitura e interesse por livros e autores.


Os siris - pintura e dobradura em papel 

No caso de meu livro “Antônio dos Botos”, o conteúdo foi trabalhado durante meses, de maneira que as crianças entenderem a história narrada, o tempo, os personagens e enredo, a ponto de desenvolverem trabalhos gráficos com várias técnicas, pintura, recortes e montagens, demonstrando perfeitamente o entendimento pleno da obra.

Só faltava para as crianças, conhecerem e conversarem com o autor. Uma menininha de 5 anos aproximou-se e me perguntou. “por que é que o senhor gosta de escrever para a s crianças?”
Aí, eu derreti diante daqueles olhinhos brilhantes e curiosos.



Uma excelente tarde de proximidade e interação com as crianças, seus pais, professores e os universitários.

Cumprimento a todas as professoras e agradeço a calorosa recepção da Diretora Márcia Adriana Feltrin, secretária Juliana Fagundes de Carvalho e a professora Fernanda Saviato Knabben, professora Bruna Neves da Fucap e seus alunos, inclusive Bruna.



O linguado - painel : pintura, dobradura e colagem

Nossa Senhora, o siri, o boto e o linguado. montagem

Detalhe da plateia


Autores Márcio e Bonifácio (sentado)

Profesoras e alunos da Fucap

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

GANGA ZUMBA

uma mulher muito linda - imagem Gooogle
                                   

Márcio José Rodrigues

Gostaria que esse fosse simplesmente o “Dia da Consciência".

DIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA.

 De as pessoas todas depararem-se consigo mesmas e darem-se conta de que cada uma é um ser individual e coletivo, com a possibilidade de viver sua vida particular e poderem participar numa sabedoria comunitária de sobrevivência, convivência e colaboração.

Gostaria que as pessoas olhassem para uma mulher na rua e observassem apenas se é jovem, criança ou madura, se é bela ou elegante; se seus cabelos são loiros ou castanhos, lisos, crespos, longos ou curtos, 
se ela é clara, escura, alta ou baixa.
Simplesmente colhessem a impressão que lhes causa, boa ou ruim, 
agradável ou desagradável.

O mesmo para um homem, se parece um executivo, um operário, um turista, um estudante, conhecido ou desconhecido, amigo, parente.

Pessoas colhendo de pessoas, apenas impressões naturais, de simpatia ou até desinteresse, neutralidade ou afeto.
Até gostar ou não gostar, com naturalidade.

Sei que o mundo chegará aí, com tempo e sem traumas numa convivência cada vez maior sem nenhum preconceito, consciência coletiva de que somos apenas pessoas e especialmente humanos à imagem e semelhança uns dos outros, porque à imagem de Deus.

Como cantávamos na missa de domingo:

Filhos do mesmo Pai
Com sangue da mesma cor
Herdeiros do mesmo céu
Nascidos do mesmo amor.


sábado, 16 de novembro de 2013

XV DE NOVEMBRO - NADA A COMEMORAR

                                                                                Márcio José Rodrigues            

Hoje o dia do feriado poderia ter amanhecido de gala, mas para Laguna trouxe coisas tristes e difíceis de serem esquecidas.
!5 de novembro,

1839 -  a frota naval farroupilha de Garibaldi foi massacrada no canal da Barra, no maior combate em águas internas jamais travado na história do Brasil. 23 vasos de guerra defrontando-se num combate de morte, onde a fragata “Bela Americana” lacrou o destino da efêmera República Juliana.
Batalha naval do Canal da Barra - óleo sobre tela por Willy Zumblick

1887 – fundação do Clube Blondin, que por123 anos pertenceu à sociedade lagunense, construído com as mãos e a tenacidade de famílias representativas da sociedade local. 
Poderia estar em vias de ser simplesmente levado, esse patrimônio, à posse de particulares, sem nenhum direito legal para isso?
 Tremem no túmulo, os ossos de Paulo Carneiro e a Laguna não pode esquecê-lo nunca.

1889 – é deposto do governo imperial, Dom Pedro II, expulso do país, o melhor governante que o Brasil teve em sua existência, para inaugurar a través da Proclamação da República, este caos administrativo de corrupção que montou de rédeas e esporas nas costas do povo brasileiro.
Vista da Reserva do Gravatá - foto Ronaldo Amboni

2013 – A Câmara de vereadores  da Laguna determina o sepultamento do último reduto ecológico intocado do Município, o paraíso do Gravatá, para ser esquartejado e repartido entre a matilha da especulação imobiliária. Projeto infeliz e desqualificado, não tem como explicar a destruição de um aquífero importante (o que é considerado pecado mortal pelos órgãos federais ambientais), sem nenhuma infraestrutura prevista para tratamento e destino de efluentes, que terá certamente o destino certo, o mar, além de ferir acintosamente a lei que já o declarava reserva ambiental.

         
Feriadão para todos os tolos embriagados de preguiça e comodismo, que vão se acordar segunda-feira com uma cidade cada vez pior de se viver, de trabalhar de arranjar um trabalho decente.

Nota: imagens recolhidas de postagem de Júlio Cesar Vicente (ambientalista)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

FINADOS - O DIA DA SUDADE

A MORTE DE SÓCRATES -  José Maria de Medeiros (Portugal)
                                       Texto e postagem Márcio José Rodrigues
       
 Estamos no dia de hoje, superando a casa dos 7 bilhões e duzentos milhões de habitantes no planeta Terra.
Já pensou que daqui a 100 anos, só um século, toda essa multidão de humanos já estará morta?
Se nada de estranho acontecer, haverá, no entanto, mais de 10 bilhões em nosso lugar, vivendo sob novas tecnologias, mas sentindo a mesma saudade, as mesmas paixões, o mesmo medo, as mesmas incertezas, as mesmas inquirições, alegrias, dúvidas, igual aos nossos ancestrais das cavernas.
O mundo evoluiu em espécies, lugares foram modificados, rios secaram, montanhas sumiram, ilhas emergiram, continentes racharam, mas o velho ser humano ainda teme a morte do mesmo jeito que um grupo de guaranis em torno de uma fogueira numa noite escura.
Talvez esta vida seja para nós, como um tronco de árvore a quem um náufrago se agarra e não quer deixar, para nadar até uma praia bem à sua frente, com medo de não poder chegar lá.
É e será sempre medo do desconhecido.

Mas, se a morte repete inexoravelmente seu ritual há milhares de anos, é porque ela sabe que está certa.
Logo mais, de modos diferentes, milhões de pessoas homenagearão seus mortos.
Levarão flores, enfeitarão seus túmulos, acenderão velas, cantarão canções e até dançarão para eles.
É o grande dia universal de celebração da saudade que eles deixaram em nossos corações, para não nos esquecermos de que o mundo só nos deixa provar uma fatia de sua história.
Quem sabe eles estejam a dizer-nos que procuremos viver melhor com nossos semelhantes sem ambicionarmos mais do que o necessário para uma existência só.
Que triunfe, pois, a saudade boa e doce dos nossos queridos, enquanto vivermos e a esperança de outra vida onde nos encontraremos.