LAGUNA.

NÃO VERÁS LUGAR COMO ESTE.
AMA DE VERDADE
A TERRA EM QUE NASCESTE

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O ARTIGO TERCEIRO
por márcio josé rodrigues

APRESENTAÇÃO

Esta fábula narra alguns acontecimentos de um lugar real, mas aqui apresentado com o nome fictício de Lagoa Preta ou simplesmente, Lagoa.
Vai falar da paranoia do poder a qualquer preço, da covardia e irresponsabilidade de um povo que assiste apático e indiferente à destruição da sua cultura, seus valores e seu futuro.
O título. “O Artigo Terceiro” é filho da Teoria da Evolução das Espécies do naturalista inglês Charles Darwin e a impiedosa “Seleção Natural” que derrota os fortes e faz sobreviver os mais aptos.
Lagoa também está sujeita a esta lei.

CAPÍTULO PRIMEIRO
MINHA QUERIDA LAGOA


Quando o sol vai dormir em Lagoa.



- Eu sou apenas um bagre! Na verdade, um cágado!
Explico.
         Quando os sapos aqui chegaram e tomaram o poder, enganando os outros viventes, decretaram que só eles, os “anphibios” eram a raça superior. Em segundo lugar vinham seus parentes mais pobres, as rãs, os carrascos, as gias e pererecas, denominados “batrachios”, o que é a mesma coisa.
         Nós, eu e você, os demais, enfim, somos apenas ”bagres”.

Nós os cágados, somos animais muito tímidos e passamos a vida escondidos dentro da nossa carapaça.
Você pode pensar que a vida dentro de uma carapaça deve ser desinteressante e sem perspectivas, mas devo dizer que tem lá suas vantagens, dependendo do ponto de vista. Faça chuva ou sol, em qualquer lugar, você tem sempre a sua casa própria, por exemplo. Também não temos inimigos naturais porque não é fácil mastigar uma carapaça de cágado e muito menos, engolir um cágado com carapaça e tudo. 
Esta segurança livra-nos de histerias, estresses e outras neuras que costumam atormentar os demais viventes. Daí, sermos conhecidos por nossa absoluta calma em qualquer circunstância e imperturbável paciência. Isto proporciona-nos uma vida muito longa, boa para observar o mundo, confortavelmente debruçados na janela da frente e quase uma eternidade para pensar e repensar os sinais dos tempos.
Parecemos tímidos, mas a timidez fez-nos prudentes.
A prudência fez-nos introspectivos, pensadores, mais calados, bons ouvintes e muito observadores.
O repetitivo exercício de pensar tornou-nos espertos, sábios.
Estas virtudes ou defeitos, sei lá, fazem-nos, até certo ponto, filósofos...





A fábula é um estilo literário que existe desde a antiguidade. Sumérios já a usavam no registro de seus famosos provérbios.
Foi na Grécia, porém, no século V a.C. , que um escravo grego, Esopo, lhe deu a graça e a forma que a consagraram.
Nela usa-se a "antropomorfização" dos animais, isto é, dar a eles características humanas, de pensamento, sabedoria e fala, para descrever e criticar a sociedade sem mencionar nomes de pessoas poderosas, mas seus comportamentos.
Em tempos modernos, Jean de La Fontaine foi o expoente e usou-a para criticar o comportamento frívolo e irresponsável dos poderosos da França  do século XVI ( A cigarra e a formiga, O lobo e o cordeiro, A raposa e o corvo).
Nossos índios eram impressionantes fabulistas e nos legaram histórias divertidíssimas de macacos, onças, tatus e outros animais.

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