LAGUNA.

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A TERRA EM QUE NASCESTE

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA OU MORTE?

Foto Márcio José Rodrigues Filho com montagem mjr - molhes da barra, Laguna, Brasil




Texto e postagem Márcio José Rodrigues

Quando se observa esta cena bucólica de um pescador solitário nos molhes da barra em Laguna, Brasil, parece que se está diante de uma tela de Monet.
A imagem sugere não apenas a beleza escancarada do cenário, mas também algo quase intocável de mistério.
Um homem solitário à beira do mar, equilibrando-se perigosamente sobre uma aresta de rocha dura e escorregadia, olha a imensidão à sua frente na expectativa de lançar sua tarrafa.
Cospe, pragueja, resmunga, num entremeio de rezas e blasfêmias, a atenção aguçada e devaneios, impressão invejável de plena liberdade e independência do muno real.

As profundezas indiferentes escondem as respostas que procura e o desafiam a arriscar seu lance.
Para esse homem, o peixe que almeja representa muito mais que uma vitória sobre o gigante à sua frente. Seu  troféu será fatiado em partes diferentes e proporcionais que em sua família representarão a alimentação, medicamentos, cadernos, transporte, roupas para as crianças que não querem parar de crescer, a goteira no telhado, tudo a cada dia mais caro.
Esse mar que o desafia e o afronta, é ao mesmo tempo, seu pai e seu algoz, seu provedor e sua esperança.
Ele jamais pensou em cuidar do mar e nem sabe se alguém se preocupa com isso.
Só sabe que peixe deve morrer para que o homem alcance a independência.

Amanhã seus filhos estarão desfilando na rua central, portando bandeirinhas e ao som  dos tambores e nem saberão muito nitidamente porque. Talvez, muitos dos professores que os estarão organizando na fila da marcha, também nem saibam direito o que estão fazendo ali.
Após o desfile as crianças voltarão aos seus folguedos .

Os adultos, as autoridades, voltarão às suas barganhas e venderão sua liberdade no tempo oportuno.
Certamente, ficarão calados quando conseguirem amordaçar a imprensa e os meios de comunicação.
Afinal, para que servem os jornais , senão para embrulhar os peixes mortos?

AINDA ESTÁ EM TEMPO, IRMÃOS!
INDEPENDÊNCIA NÃO É UM LUGAR.
É UM CAMINHO!