LAGUNA.

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terça-feira, 19 de abril de 2011

HOJE É DIA DO ÍNDIO

Indios Carijós sendo levados para São Paulo - Rugendas (imagem Google0

CARIJÓ, O ÍNDIO DA LAGUNA
O IÍNDIO DE EMBIAÇÁ
por Márcio José Rodrigues

O litoral de Santa Catarina e a região da Laguna (Embiaçá) vêm sendo ocupados sistematicamente por povos coletores, caçadores e pescadores há 4.500 anos, isto é, 2500 a.C. , como bem nos transmitem os sambaquis, relatos históricos e crônicas mais recentes.
Esta ocupação, em vista da fartura de alimentos, de pesca e caça, deu-se,ininterruptamente, durante todo esse período, sucedendo-se uns a outros povos ao longo do tempo e, provavelmente, em 1000 a.C., grupos ceramistas e agricultores.
Quando o colonizador europeu chegou às costas de Santa Catarina logo após o descobrimento, encontrou em nosso litoral o grande povo CARIJÓ, da nação Tupy-guarany.
Mais para o interior, um outro povo, da nação Jê, denominado bugre, botocudo, xocrén, xokleng, mais arredio e selvagem esparso por todo o sertão e pela serra, em pequenos grupos.
A nação carijó era composta pelo mais gentil de todos os gentios da costa e talvez por esta razão, se tenha decretado sua dramática destruição.
O nome carijó, do tupy-guarani “Caraí-yóc”, cara pálida, pele clara, nome dado a alguns descendentes ocasionais de acasalamentos de índias com europeus, denominação que se estendeu depois a toda a nação.
Eram hospitaleiros, agradáveis, viviam organizados em aldeias de até sessenta a oitenta casas de pau a pique, desde a Cananéia até o Rio Grande.
Viviam da caça e da pesca, além de pequena agricultura, esta, de responsabilidade das mulheres. Teciam redes e cestos e produziam instrumentos musicais de sopro e percussão.

Como já relatava Pero Vaz de Caminha em sua carta para El-Rey, o índio foi tomado por um verdadeiro fascínio, deslumbramento pelos instrumentos de ferro, machados, facões, cuja eficácia no corte da madeira foi de um valor levado a extremos por eles, e talvez tenha contribuído significativamente para o seu fim.
Em troca de facas e machados e outras bugigangas, qualquer viajante aqui aportado, podia levar uma quantidade imensa de carne, peixes, frutas, peles, penas e raízes de tinturaria.

A presença do branco entre eles foi catastrófica, cruel, dramática.
A relação de força entre o português e o índio, um verdadeiro holocausto.
No século XVII, coincidentemente, a atividade agrícola, principalmente a da cana-de-açúcar, se desenvolvia nas capitanias mais ao norte, São Vicente e Rio de Janeiro.
Sem mão de obra suficiente para o manejo da terra, resolveu o colonizador, aproveitar aquela do silvícola nativo, o que o fez de uma forma tão devastadora, desumana, cruel, que não se pode deixar jamais ser apagada na história, esta página manchada da presença do branco, principalmente o português.

Aldeias inteira eram devastadas, velhos, mulheres e crianças mortos com requintes de crueldade, cadáveres sem conta espalhados ao relento, guerreiros altivos feitos escravos, para nunca mais voltarem à sua querida Embiaçá.
Expedições sucessivas de apresamento, invadiam o território carijó, numa matança sem fim, num escravismo sem fim.
Curiosamente, o próprio carijó com seus caciques corrompidos pelo branco, foi o maior auxiliar do escravista, no apresamento dos índios e chegou ao extremo de caçar seus próprios irmãos, para vendê-los como escravos para as fazendas de São Vicente, em troca das ferramentas por eles oferecidas.
Destaque aqui se faça, para aquele que se revelou um dos maiores flagelos da região, o terrível cacique Tubanharô, que até os limites do Araranguá, foi um caçador implacável de seus companheiros e aliado do explorador vicentista.
Para se ter uma vaga idéia, diz um cronista da época, que apenas o “ANJO”, Caraibebê, cacique feiticeiro, de quem se dizia ter poderes sobrenaturais, num espaço de 20 anos, chegou a vender 120.000 índios.

Em 1653, a costa dos Patos,que corresponde ao terrritório da Laguna, que tinha sido a morada dos gentis carijós, estava despovoada.
Quando Domingos de Brito Peixoto fundou a póvoa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, em 1676, trazia junto a seus familiares, alguns índios domesticados.
Os últimos remanescentes dos carijós encontrados ainda, já não mais podiam reconhecer os seus irmãos que retornavam do cativeiro.
E no dizer do historiador Pe. José Artulino Besen : “ ironia da história, inicia-se o povoamento do litoral catarinense, depois de haver um dia, ter sido despovoado pela violência e pela morte."