LAGUNA.

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sexta-feira, 15 de abril de 2011

CANTIGAS DE VENTO

imagem Google


 por Márcio José Rodrigues

O vento canta nas telhas
E elas põem-se a dançar.
E são cantigas tão velhas,
Que o vento sabe cantar                           

No anoitecer sonolento
A gente segue seu fado:
Sonhar ao sabor do vento,
A assoviar no beirado.

Assombrações são varridas
Dos pesadelos medonhos.
Nas casas adormecidas,
O vento brinca nos sonhos.


Tamborilar nos telhados,
Marcar cadências, e às vezes,
Parecem sons compassados
De tamancos portugueses


São raparigas morenas
Bailando. Sorrisos francos,
Risos brancos de açucenas
E a marcação dos tamancos.

Vistosas fitas em trança
Num mastro entrelaçando,
Saias rodadas na dança
Das raparigas girando.

Mas a manhã vem surgindo
E o vento vai embora
E as raparigas sumindo,
Como fantasmas, na aurora.


Os sons também vão fugindo,
Vão-se as fitas coloridas,
Como fumaça fluindo
Nas telhas já adormecidas.



Em minha cidade portuguesa no Atlântico Sul, o vento é um companheiro constante dos pescadores, navegantes, poetas e meninos que gostam de soltar pandorgas. Ás vezes amedronta, assoviando nos beirados, sacudindo janelas e portas, rolando bacias no quintal e à noite mexe com os telhados, fazendo com que as telhas batam umas nas outras como se estivessem a dançar. Gosto de dormir assim, ouvindo sua cantilena e sonhar como um personagem da história da minha cidade.