LAGUNA.

NÃO VERÁS LUGAR COMO ESTE.
AMA DE VERDADE
A TERRA EM QUE NASCESTE

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

LUAS DO MARASMO E LUA DO ESQUECIMENTO


foto Google
                                                                                                               por Márcio José Rodrigues

Existe um lugar chamado Lagoa, de tantas e tão honrosas tradições, terra de Ranita, onde os sapos detêm o “PODER”, porque além de nadarem perfeitamente, também andam e cantam. Além disso, desenvolveram um órgão poderoso e sinistro, ao mesmo tempo encantador, o papo!
Por isso eles detêm os cargos importantes:
Saprefeito, sapolítico, saprofessor, sapolícia, sapientes...  
No ciclo anual das luas, numa em especial, bem no coração do verão, época de descanso coletivo, encontros sociais e romances, dos banhos comunitários, mandam realizar uma festa monumental, o “Reinado de Bufo”.
Nos tempos dos antigos, durava apenas uma noite, mas devido ao  sucesso político e as vantagens colhidas pelos sapotentes,  nos tempos atuais dura uma lua inteira, sem falar no tempo em que se ocupam só com os preparativos. Durante o feliz reinado não há lugar para problemas nem reclamações.
Só se admitem alegria, descontração, bom astral.
Organiza-se um monumental cortejo puxado pelo Bufão, ou Rei Bufo, o mais gordo “Bufo marinus(*) um sapo pintado enorme.
O evento também é observado pelos sóciosapólogos de espírito crítico e atento, como a “Lua do Esquecimento”.
É quando se permite a qualquer um ser o que quiser, fazer o que bem entender e qualquer loucura ou fantasia que lhe vier à cabeça.
Para os sapos a melhor delas é e pintar os olhos e a boca, fazendo-se parecer de rãs, saltitando com todos os trejeitos delas.
Lagoa fica completamente desgovernada e até o “Poder” cai na esbórnia.
Multidões de visitantes, hordas de bárbaros, surgem de todos os lugares, dançam de graça, bebem muito suco fermentado.
Vai muito longe a fama, do que lá fora dizem, "Lagoa tem o
o  grande  festival das pererecas."
Comem e queimam ervas e cogumelos alucinógenos, pulam freneticamente, divertem-se, esbaldam-se, destroem, desfiguram a paisagem.
Quando partem, deixam apenas despesas e um insuportável cheiro de urina e cocô fermentados, que empestam Lagoa durante um longo tempo e chegam a fumegar com o calor do sol.
A festa acaba, tudo cai em um estado de torpor e tristeza, impregnado de uma preguiça, um desânimo sem esperança e como os sapos gostam, entregue às moscas.
A esse tempo chamam “Luas do Marasmo”, na verdade, todas as luas seguintes do ano.
É o melhor tempo para os espertos engendrarem as grandes tramoias, pois ninguém tem disposição para reagir. Quando começarem a despertar do marasmo, a agitarem-se inconvenientemente e acordarem para a realidade, a miséria, o abandono, já será tempo de novo reinado de Bufo.
Então, esquecerão tudo outra vez.
Banho de piscina - foto márcio j. rodrigues



(*) sapo cururu, o sapo pintado.