por márcio josé rodrigues.
Sou pai de 4 universitários, 3 deles, da Universidade Federal de Santa Catarina.
Também sou professor com experiência em Biologia e Pós-graduação em Metodologia do Ensino.
Também fui aluno em Odontologia na UFSC onde me formei.
Sei que as universidades sempre foram centro de excelência em saber e discussão de ideias e isso é a sua vida. Se lhe tirarem essa prerrogativa, melhor fechá-la. É de lá que vertem as revoluções culturais, os líderes políticos (pelo menos, deveriam), as inovações tecnológicas, a pesquisa, as correntes filosóficas, as mudanças e o dinamismo do mundo.
Dela emergem cinco tipos de indivíduos diplomados:
1. Os Gênios - são aqueles que ganham o Prêmio Nobel;
2. Os Brilhantes - escritores, poetas, técnicos avançados, pesquisadores, médicos notáveis, professores notáveis;
3. Os Bons - profissionais liberais de bom desempenho, administradores, bons professores, que ainda fazem alguma diferença no ambiente onde militam;
4. Os medíocres - que passam em concursos públicos, desempenham suas vidinhas sem maiores ambições:
5. Os imbecis diplomados, que passam a vida acadêmica gazeando aulas, participando assiduamente das intermináveis festas e bacanais acadêmicos, frequentadores de inferninhos, consumidores de drogas ilícitas, notadamente a maconha. Passaram o tempo enganando e roubando seus pais do interior, corretos e assíduos na remessa da mesada pontual e sagrada. Depois de egressos, se fosse exigido um exame de ordem, jamais poderiam exercer a profissão, por incompetência. São esses que se enrolam nas pernas dos políticos, ganham cargos de mando e até importantes e viram burocratas.
Infelizmente, são um número assustador, sustentados pelo governo federal, com o dinheiro do povo.
E olhem, que não falei das faculdades particulares.
O campus da Universidade Federal de Santa Catarina é hoje um centro crônico de comércio de drogas ilícitas, distribuição e consumo. É o principal mantenedor da fortuna dos traficantes da área com o dinheiro dos pais. São os imbecís que sustentam a narco-rede e que além do mais ignominioso, emprega crianças, formando precocemente bandidos, assassinos e traficantes mirins.
Mais um agravo, o campus mantém a distribuição para os bairros da periferia numa macabra extensão universitária e o pior, expõe as crianças do Colégio de Aplicação ao contágio, pois é sabido que existem alunos que chegam alterados em sala de aula.
O campus, principalmente depois do entardecer virou um lugar de medo, de assaltos, de roubos, até para quem demanda o Hospital Universitário.
Todo administrador sabe que problemas se resolvem, quando possível, em três fases:
A curto prazo- com urgência e prioridade.
A médio prazo- , quando se dispõe de certo tempo para analisar melhor certos aspectos e prover recursos e meios.
A longo prazo- , como uma religião. diuturnamente, sem trégua.
Para isso é preciso coragem para querer e por em prática os quatro pontos cardeais do combate ao consumo ilícito e ao tráfico dos entorpecentes:
Prevenção, educação, recuperação e repressão aplicados concomitantemente.
A reitoria da UFSC sabe o que é isso.
A Universidade perdeu seu foco educacional, está aceitando o jogo do traficante dentro do campus, deixando escapar vidas, existências preciosas de jovens promissores e dilapidando recursos públicos.
Se ignorar, está virando cúmplice.
Quanto aos defensores dessa baderna, devo dizer que, o momento em que um chefe não consegue desempenhar sua função é o momento da intervenção federal.
Em caso de droga, chamem a polícia.
Bem assim.
domingo, 30 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
por márcio josé rodrigues
Hoje foi um daqueles dias diferentes dos demais.
Uma espécie de retrato muito bem focado da vida como ela é.
Houve tristeza na despedida de amigo, houve outro amigo que nos socorreu no momento preciso, houve pequenas e grandes alegrias, enormes alegrias.
Nosso caçula, aquele que se formou em direito há duas semanas, hoje recebeu o resultado de sua aprovação nas provas do OAB, a Ordem dos Advogados do Brasil.
Temos então um advogado, coisa de grande júbilo, mas também algo que eu a mãe dele já tínhamos certeza aqui no coração.
Hoje também é a véspera do DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
Sou um daqueles felizardos que poderia focar dezenas delas entre esposa, irmã, filhas, primas, sobrinhas, amigas, uma heroína que só existe em minha cidade, colegas de trabalho, um leque maravilhoso delas.
Mas, hoje desejo centrar minha atenção sobre uma muito especial, a namorada desse nosso filho, Amanda.
É dela aquele rosto lindo que aparece na foto que ilustra este texto.
Tem tudo para encantar a gente. É muito feminina, irradia simpatia natural, carinho espontâneo e envolvente, doçura, certos ângulos de visão que parecem fragilidade.
Mas também é uma mulher de seu tempo, dos novos tempos.
Empreendedora, caráter firme e muito bem estampado, capaz de lutar e andar firme em busca de seus objetivos, que são transparentes, dignos e honrados, centrados na criatividade e no trabalho árduo.
Além desse cumprimento, por achá-la digna de representar a mulher moderna, também vai um afetuoso manifesto de ternura, pelo que tem sido para todos nós.
Quem meu filho beija, minha boca adoça, diz o aforismo popular tão verdadeiro.
Amanda, Mandinha, tem algo a ver com a felicidade do nosso filho, um grande apoio em horas mais difíceis, companheira de risos e papos furados em horas amenas, ombro acolhedor.
Um sorriso lindo que ilustra muito bem o lado luminoso deste dia.
quarta-feira, 5 de março de 2014
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2014 - FRATERNIDADE E TRÁFICO HUMANO
por Márcio José Rodrigues
Com o tema "Fraternidade e Tráfico Humano" a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, abriu hoje, 4ª feira de Cinzas em Brasília, a Campanha da Fraternidade 2014, cujo lema é uma citação de São Paulo aos Gálatas "É para a liberdade que Cristo nos libertou".
Dom Leonaro Ulrich Steiner, bispo auxiliar de Brasília abriu a campanha na presença do Ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, da Pastora Romi Márcia Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, representantes do OAB, e outras autoridades.
A Igreja Católica este ano chama a atenção para todos os tipo de de tráfico de pessoas, seja para a exploração da prostituição, adoção de crianças para transplantes de órgãos ou mesmo, trabalho escravo.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse que
"o governo se une à CNBB e às demais entidades na luta contra o tráfico de pessoas. Para o ministro, o Estado deve reagir frente a essa realidade.
“É inaceitável um crime como o tráfico humano e que pessoas sejam tratadas como objetos, como escravos. Não importa a modalidade deste crime. Ele tem que ser objeto de uma reação muito forte da sociedade moderna, do Estado moderno”, completou o ministro.
Como então o Sr. Ministro explica o tráfico de médicos cubanos para o Brasil, cujo salário de R$ 10.000,00 não é recebido integralmente, sendo a maior parte, cerca de 80% repassado diretamente ao governo de Cuba?
Isso é Trabalho Escravo ( ser obrigado a trabalhar sem receber seu próprio salário e dele dispor livremente).
Por que as famílias desses médicos não podem vir com eles, mas permanecendo vigiadas como reféns em Cuba, para evitar que fujam do regime?
Como o governo brasileiro de Dilma Rousseff, permite esta atrocidade, mesmo diante da Constituição do Brasil que julga o trabalho escravo como crime?
“A Campanha da Fraternidade vai chamar a atenção para essa grande chaga que é a opressão, o abandono, em uma sociedade estruturada sob bases injustas, visando apenas o consumismo e o capitalismo. Que cada brasileiro nesta campanha, lute pelo desaparecimento do tráfico humano”, disse o representante da OAB, Marcelo Laverence Machado.
QUARESMA É TEMPO DE CONVERSÃO
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
AO BACHAREL MARCIO JOSÉ RODRIGUES FILHO
| MARCIO JOSE RODRIGUES FILHO - Colação de Gau UFSC (20/02/2014) |
Nosso caçula
é bacharel em direito.
Parece que nem faz tanto tempo que ele corria pela casa dando trombadas nos móveis e objetos
ou quebrando sem dó o bracinho do meu precioso toca-discos Thechnics.
As primeiras
ausências do lar, o jardim de infância, as aulas do primário no Jerônimo Coelho
e a formatura do primeiro grau no Colégio Stella Maris.
Depois, as
naturais rusgas como um adolescente bem alimentado e irrequieto, imaginativo e
sonhador, quase sempre alegre e risonho, mas turrão quando se achava tolhido de
algo que queria.
Aí aparecia
o "aborrecente" insistente e teimoso, nada que quaisquer pai e mãe já não tenham
vivido.
Então já
eram quinze anos, a primeira namorada, as saídas preocupantes para as festas,
nossas madrugadas insones, a primeira bebedeira e o sermão, como se a gente
nunca tivesse passado por isso.
Enfim, o
afastamento maior para morar sozinho em outra cidade, as preocupações da
distância, os problemas do existir quotidianamente, o medo das drogas, um
caminhar sempre atribulado de pais que, mesmo fazendo a experiência quatro
vezes, com os quatro filhos, sofreriam as mesmas angústias, mesmo que fossem
vinte.
Enfim, nessa
quinta-feira que passou, vivenciamos de novo como se fosse a primeira vez, a
emoção da colação de grau na universidade, uma felicidade que não tem medida,
nem tamanho de gratidão para com Deus. Um privilégio, infelizmente, para poucos
brasileiros, reconhecemos e, por isso, valorizamos ainda mais. Nesse momento,
pensamos em nossos anjos aliados, os professores que o forneceram o
conhecimento que nós não saberíamos dar. Os amigos que o apoiaram em horas
difíceis, a família sempre unida e presente, os irmãos e aquele que sempre
estava mais perto, o mano mais velho.
Nosso
bacharel recebeu nota máxima em seu “Trabalho de Conclusão de Curso”, passou na
prova de primeira fase da OAB e agora de novo, esperamos o resultado da segunda
fase, com muita esperança.
- Filho, sabemos que tens a graça de uma inteligência aguda e
inquiridora, que te preocupas com a justiça e o equilíbrio da justiça entre as
pessoas.
Lembro agora de algo que li sobre os tribunais da antiga
Atenas. Quando um acusado não tinha provas em seu favor, podia ser salvo por um
“Paraclito”, cidadão honesto e de comportamento ilibado, que simplesmente se
postava ao lado do réu, em silêncio, diante do tribunal. Bastava este apoio sem
nenhuma palavra, para que o cidadão fosse absolvido.
O Paráclito,
“aquele que fica ao lado” é a imagem adotada pelo cristianismo, para o Divino
Espírito Santo, o supremo advogado diante do tribunal de Deus.
Esse é o
colega que te acompanhará durante toda tua carreira, eu assim peço a Deus e, a
ti, que O acolhas.
Gostaríamos
(e agora falo também pela Mãe Graça) que
pautasses tua vida profissional pela verdade, a justiça, a liberdade e principalmente
pelo amor, sendo também aquele que se posta ao lado dos inocentes.
Feliz
jornada.
ADEUS, AMIGO CLÁUDIO DIAS DE CASTRO RAMOS
![]() |
| ALBUM DE FAMÍLIA - Cláudio e Cecy, com filhas e netas. |
Estávamos
em Florianópolis na última quinta-feira, para a formatura do nosso caçula
Marcinho, na Faculdade de Direito as UFSC, o que ocorreria poucas horas depois.
Acordado, estava pensando no Cláudio e na
Cecy, na vida deles e da nossa, na amizade de tantos anos.
Pensando no Cláudio, pelo ser humano que ele
representou como o topo da evolução na escala da qualidade do ser.
Jamais conheci assim de perto alguém que
tivesse tanta semelhança com a imagem do modelo planejado por Deus. Um homem
tão grandioso quanto humilde e bom. Também não conheci alguém que fizesse da
própria vida uma busca tão incessante da perfeição como humano, essa secreta
paixão que ele alimentou pelo Deus que morava permanentemente em se coração.
Um homem sereno e calmo, mas corajoso como um
profeta, capaz de romper com laços estabelecidos, na sua caminhada para o superior,
o atemporal, o infinito. Um apóstolo que lançou todos os valores na caridade,
no amor e na fé, tudo o que possuía, e como o conheci, posso testemunhar que
jamais esperava algo em troca. Satisfazia-se completamente com uma secreta
felicidade de ter feito algo de bom.
Nobre em todos os aspectos, soube vislumbrar
em sua amada Cecy, a mulher capaz de seguir com ele a jornada de seguir a vida
a dois, na mais perfeita cumplicidade de viver com amor, um eterno noivado, com
sobras generosas para repartir com a família, os amigos e as pessoas, enfim.
Lamentamos não podermos estar pessoalmente presentes
nestes momentos de dor, especialmente com Cecy, a quem abraçamos com amor e
fraternidade.
Pessoalmente, também, sinto-me desprovido de
méritos e grandeza para acrescentar qualquer coisa sobre este nosso amigo, mas
de qualquer forma, a tristeza também vem agora dizer que é preciso sentir a sua
perda.
Agradecemos ao bom Deus, nosso Pai, a graça
de ter cruzado nossos caminhos e assim eu tivesse evoluído um pouco mais como
ser humano, ao privar da amizade e da convivência com essa família. Acho que
continuarei me inspirando em meu amigo, para seguir melhor o tempo que Deus me
destinar ainda existir.
Um abraço de sentimento, de amizade e de amor
a toda a querida família de Cláudio e aos amigos sinceros que ele cativou.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
SÍNDROME DAS JANELAS PARTIDAS
por márcio josé rodrihues
Há
uns atrás, pesquisadores da Universidade e Stanford nos Estados Unidos, George
Kelling e James Wilson fizeram
uma interessante experiência em comportamento humano. Abandonaram dois
automóveis iguais em dois bairros diferentes. Um em Nova York, no Bronx, bairro
mais violento e pobre da cidade. O carro foi depredado no mesmo dia, desmontado;
roubaram tudo que era possível, desde motor, rodas, bancos, rádio, peças e o
que não podia ser levado foi destruído.
O outro veículo foi
abandonado em um bairro classe A na cidade de Palo Alto na Califórnia.
Alí, o carro
permaneceu intacto por várias semanas, sem sequer um arranhão. Porém, a
pesquisa continuou e o passo seguinte, foi quebrar-lhe uma das janelas. A
partir desse momento, no bairro rico, o comportamento foi o mesmo do bairro
pobre de Nova York, carro depenado, vandalizado, depredado até virar sucata.
Como explicar essa mudança de comportamento?
Quando
se permite que algo pareça abandonado, o comportamento das pessoas é esse, de
depredar destruir, menosprezar, desvalorizar, desrespeitar.
Já
notou como em uma casa com uma vidraça quebrada sem conserto, logo, logo as
outras também são destruídas a pedradas? Vândalos logo sentem-se à vontade em
ocupar um edifício abandonado, transformá-lo em cortiço, destruí-lo,
incendiá-lo.
Baseado
nessa pesquisa o Prefeito de Nova York, Rudolph
Juliani, atacou o problema dos crimes comuns no metrô, parques, praças com
a famosa investida “Tolerância Zero”, onde qualquer contravenção, por menor que
fosse, uma pichação, um simples furar uma fila era punido exemplarmente. O
resultado surpreendente, foi o a queda drástica da criminalidade em Nova York,
a um índice dos mais baixos do mundo.
Em certa oportunidade
um indivíduo comum foi preso por um simples pular a borboleta do metrô. Levado
à delegacia para as diligências de praxe, descobriu-se tratar-se de um dos
criminosos mais perigosos e procurados pela polícia, “O assassino de Central
Park”, que estuprava, assaltava, matava suas vítimas e vinha à muito tempo
ludibriando a polícia. Se a contravenção da borboleta do metrô fosse esquecida,
ele estaria ainda a estrangular suas vítimas, impunemente.
Mentalize a imagem de uma janela com vidraças partidas e
tente traçar um paralelo entre certos fatos com os quais estamos convivendo.
Brasil, insegurança,
criminalidade e impunidade.
Justiça, tolerância,
proteção, demora, improbidade.
Poder público,
falcatruas, escândalos, crimes.
Educação, escolas
feias e carentes, professores mal pagos.
Cidade feia,
abandonada, buracos, sujeira, matagal, calçadas caóticas.
Saúde, postos
públicos, hospitais falidos, funcionários despreparados.
Nossa própria casa,
pintura, limpeza, cuidados, apresentação.
Só pra começar uma série
de artigos sobre a situação de nossa cidade.
Para saber mais:
Broken Windows – George Kelling e Ctherine Cobs.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
UMA HISTORIA DE GATO
![]() |
| Imagem ilustrativa - Googlr |
UMA HISTORIA DE GATO
por
Márcio José Rodrigues
A história que passo a narrar é verdadeira e aconteceu há uns poucos anos com uma amigo meu.
Depois que ele
descobriu que tinha um câncer de garganta e sua voz desapareceu atrás de um
tubo de traqueotomia mal escondido por um lenço no pescoço, seus parceiros de
clube, de cervejadas e partidas de dominó foram- se afastando, rareando as
visitas e por fim, desaparecendo por completo.
Foi no tempo em que um
gato de rua, adotado por sua filha, apegou-se mais a ele e ele também ao animal. O bichinho parecia entender que algo não
estava bem. Passou a fazer-lhe companhia constante. Gostava de sempre estar
perto e enrolar-se no seu colo, ronronando suave em troca de carinho.
Era seu único amigo,
silencioso, assíduo, fiel.
Não bastasse a
companhia no sofá em frente à televisão, o gato passou a dormir em seu quarto,
às vezes ao se lado na cama ou debaixo dela, companheiro de todas as horas. Era
sempre o primeiro a fazer-lhe o primeiro
carinho matinal. Um bom dia miado com manha e simpatia.
Seguiram-se as
cirurgias, as sessões intermináveis de radioterapia, as dores, os sofrimentos,
as angústias naturais de quem se encontra dentro de uma doença mortal. O
bichano cada vez mais atencioso e dedicado, parecia misteriosamente compreender
o drama vivido pela família.
Numa certa manhã,
notaram que o gato não estava bem. Cuidaram dele o dia todo com muito desvelo e,
como não estivesse reagindo, levaram-no à noite a uma emergência veterinária. Meu
amigo, mesmo em estado doentio, fez questão de acompanhar, mas ficou na sala de
espera enquanto sua esposa entrou no consultório do doutor.
O diagnóstico foi tão
desanimador quanto surpreendente e inacreditável.
- A senhora acredita em coisas misteriosas e inexplicáveis? – perguntou o doutor, acrescentando:
- Seu gato está
roubando a doença de seu marido. Ele está com câncer, vai morrer, mas seu
marido vai se curar. Eu já li sobre isso, em alguns relatos sobre animais, mas
não tenho explicação!
O animal não durou muito tempo e eles o faram enterrar no terreno do clube, dando-lhe uma espécie de sepultura digna como homenagem.
O que o veterinário
afirmou, aconteceu!
Recentemente estive a
conversar alegremente com meu amigo, já passados alguns anos da cura total e da
recuperação da voz, do bem estar e de uma vida normal.
Foi quando ele me
segredou este caso enquanto tomávamos um café.
sábado, 28 de dezembro de 2013
O TEMPO E OS ANOS
![]() |
| LA PERSISTENCIA DE LA MEMORIA - Salvador Dali,1931 |
Márcio José Rodrigues
Não está escrito no livro do Gênesis, mas muitas outras
coisas aconteceram que não foram relatadas.
Deus disse: “Incline-se o eixo da Terra para que seja iluminada desigualmente durante sua volta de um ano em torno do sol. Que se façam
quatro estações distintas, que haja primavera, que haja verão, inverno e
outono.”
E o homem aprendeu que haveria tempos de luz e de sombra, de
flores e de folhas mortas, de fartura e necessidade.
Tempos de correr livre e brincar pelos campos, tempos de
banhos nos rios e de pescar, de dançar em torno do fogo, celebrando canções de
amor. Moças nuas e rapazes musculosos a
ostentar a beleza de seus corpos enfeitados de tintas e de plumas nos reflexos
avermelhados das chamas.
Sábios e experientes caçadores contavam de suas façanhas, lembravam feitos de grandes guerreiros,
repetidamente, palavra por palavra, noite após noite, para que a história se
perpetuasse nas mentes e nos corações e
depois fossem retransmitidas aos descendentes até serem finalmente escritas
milênios depois.
As folhas amarelando e caindo e exuberância dos frutos
maduros, a festa dos alegres gritos das crianças a se fartarem livres e sem
culpas nas exuberantes árvores do paraíso.
Tempos de se recolherem na escuridão das cavernas nas noites
intermináveis de frio, na escassez dos alimentos, no medo das trevas e seus
mistérios que só os velhos sabiam desvendar; o tempo a passar lento, mas de
maior aconchego, de novas histórias, dos monstros da noite, da fúria dos
espíritos do vento, do frio e dos raios.
O acordar numa manhã luminosa ao som mavioso do trinado de
um pássaro, a erva verde a despontar por entre as brechas da neve e as flores
explodindo cores pela campina enfeitada de primavera; o alívio milagroso no
coração, porque a vida ressuscitava e se renovava a promessa de novas
esperanças, tempos de festa, alegria, felicidade.
Depois, quando perdeu a inocência, o homem ganhou orgulho e
soberba e um dia achou que podia aprisionar o tempo e até comandá-lo, como se
fosse um animal que domesticara ou o escravo que aprisionara. Inventou o
relógio e o calendário e impôs normas para o apito pontual da fábrica, o
momento exato das refeições, das crianças aprisionadas em horas rígidas em
salas de aula, comandadas por sirenes que lhes determinam ordens subliminares
de ficarem em silêncio, manifestar alegria ou até liberarem seus intestinos e
bexigas.
Assim, impôs a toda a humanidade que superlota o planeta,
que ao encerrar o dia 31 de dezembro de cada ano, no exato momento em que o
tempo se confunde naquele segundo de separação, que comece uma grande festa,
que as pessoas permaneçam acordadas e se embriaguem e comam por que um novo
tempo vai começar.
O velho tempo, porém em sua pachorra de simplesmente passar,
nem toma conhecimento disso, inexorável, indiferente.
Mas, convenhamos, é necessário que a gente pare um momento
para deixar a esperança aflorar em nossos corações, nem que seja por decreto e
convenção e fazermos a necessária pausa na rotina e por um dia pelo menos,
sermos primitivos e inocentes como nossos ancestrais do paraíso. Precisamos
muito disso, mais do que nunca.
Deixemos ao nosso espírito, a oportunidade de recomeçar a
vida como se ela estivesse nascendo outra vez, numa oportunidade de sermos
melhores e fazermos as coisa certas.
Então, FELIZ ANO NOVO!
FELIZ 2014.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
REQUIEM PARA UMA CIDADE
CÂMARA MUNICIPAL DE LAGUNA ENTREGA PARAÍSO ECOLÓGICO DO GRAVATÁ À ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA.
ESPERO QUE O PREFEITO EVERALDO SOS SANTOS TENHA BOM SENSO E CORAGEM DE VETAR ESSE ABSURDO.
(abaixo republico meu canto de luto, " Requiem para uma Cidade"
![]() |
| Foto Ana Barzan |
![]() |
| Foto Ronaldo Amboni. |
Réquiem para
uma cidade
Márcio
José Rodrigues
Minha
querida cidade
Onde
passei minha infância,
Onde
colhi a fragrância
Dos
dias da mocidade.
Onde
plantei os meus sonhos,
Onde
sonhei meus amores,
Onde,
nas mãos de impostores,
Chegaram
dias tristonhos.
Venho
encontrar-te em desgraça
Abandonada
na rua,
Miserável,
pobre e nua
Em
tua fria carcaça.
Ao teu
cadáver, a massa
Baixa
os olhos, de vergonha,
Toda
esta gente pidonha,
Indiferente,
que passa.
O
que fizeram contigo?
Quem
te feriu desse jeito?
Quem
rasgou assim teu peito
E te
infringiu tal castigo?
Pobre,
mendiga cidade
Das
ruas cheias de lixo,
Do
" cidadão" que é um bicho,
Que
te suga sem piedade.
Seu
caráter, tão rameiro,
Que
mesmo não sendo pobre,
Por
umas moedas de cobre
Te
vende por vil dinheiro.
Gente
que se acha astuta
Faz
do voto um rendimento,
Como
o gigolô nojento,
Que
vive da prostituta.
Só
te sobrou esta escória
Para
suster teu presente?
O
que quer toda essa gente
Que
te perdeu a memória?
Ao
turvar este teu brilho,
Ao
te cavar teu jazigo,
Na
mesma tumba, contigo,
Sepulta
seu próprio filho.
Pois,
quem mata sua terra,
O
próprio destino sela:
Também
vai morrer com ela
E a
mesma cova o enterra.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
LEITORES MIRINS NA ESCOLA PADRE AUGUSTINHO
Márcio José Rodrigues
| Nossa Senhora atravessando o canal da barra no dorso do siri - painel aprox. 1,50 x 1,29 por alunos e professoras da escola \padre Augustinho - Laguna, Brasil |
Sábado último, à tarde, fomos, eu e o escritor Bonifácio Vieira, convidados para uma entrevista com alunos, pais e professores do Centro Educacional Infantil Padre Augustinho.
Os alunos da Especialização em Letras e Língua Portuguesa da faculdade FUCAP de Capivari tiveram participação especial em importantes questões formuladas.
Em se tratando de uma instituição municipal desenvolvida a
partir de uma creche que hoje se dedica a educação infantil de zero a 6 anos, surpreendeu-nos
o trabalho pedagógico avançado que aquelas professoras realizaram com alunos de
idade tão tenra para despertar-lhes o gosto precoce pela leitura e interesse por
livros e autores.
| Os siris - pintura e dobradura em papel |
No caso de meu livro “Antônio dos Botos”, o conteúdo foi trabalhado durante meses, de maneira que as crianças entenderem a história narrada, o tempo, os personagens e enredo, a ponto de desenvolverem trabalhos gráficos com várias técnicas, pintura, recortes e montagens, demonstrando perfeitamente o entendimento pleno da obra.
Só faltava para as crianças, conhecerem e conversarem com o
autor. Uma menininha de 5 anos aproximou-se e me perguntou. “por que é que o
senhor gosta de escrever para a s crianças?”
Aí, eu derreti diante daqueles olhinhos brilhantes e curiosos.
Aí, eu derreti diante daqueles olhinhos brilhantes e curiosos.
Uma excelente tarde de proximidade e interação com as
crianças, seus pais, professores e os universitários.
Cumprimento a todas as professoras e agradeço a calorosa
recepção da Diretora Márcia Adriana Feltrin, secretária Juliana Fagundes de
Carvalho e a professora Fernanda Saviato Knabben, professora Bruna Neves da Fucap e seus alunos, inclusive Bruna.
| O linguado - painel : pintura, dobradura e colagem |
| Nossa Senhora, o siri, o boto e o linguado. montagem |
| Detalhe da plateia |
| Autores Márcio e Bonifácio (sentado) |
| Profesoras e alunos da Fucap |
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
GANGA ZUMBA
![]() |
| uma mulher muito linda - imagem Gooogle |
Márcio José Rodrigues
Gostaria que esse fosse simplesmente o “Dia da Consciência".
DIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA.
De as pessoas todas
depararem-se consigo mesmas e darem-se conta de que cada uma é um ser
individual e coletivo, com a possibilidade de viver sua vida particular e
poderem participar numa sabedoria comunitária de sobrevivência, convivência e
colaboração.
Gostaria que as pessoas olhassem para uma mulher na rua e
observassem apenas se é jovem, criança ou madura, se é bela ou elegante; se
seus cabelos são loiros ou castanhos, lisos, crespos, longos ou curtos,
se ela
é clara, escura, alta ou baixa.
Simplesmente colhessem a impressão que lhes causa, boa ou
ruim,
agradável ou desagradável.
O mesmo para um homem, se parece um executivo, um operário,
um turista, um estudante, conhecido ou desconhecido, amigo, parente.
Pessoas colhendo de pessoas, apenas impressões naturais, de
simpatia ou até desinteresse, neutralidade ou afeto.
Até gostar ou não gostar, com naturalidade.
Sei que o mundo chegará aí, com tempo e sem traumas numa
convivência cada vez maior sem nenhum preconceito, consciência coletiva de que
somos apenas pessoas e especialmente humanos à imagem e semelhança uns dos
outros, porque à imagem de Deus.
Como cantávamos na missa de domingo:
Filhos do mesmo Pai
Com sangue da mesma cor
Herdeiros do mesmo céu
Nascidos do mesmo amor.
sábado, 16 de novembro de 2013
XV DE NOVEMBRO - NADA A COMEMORAR
Márcio José Rodrigues
Hoje o dia do feriado poderia ter amanhecido de gala, mas
para Laguna trouxe coisas tristes e difíceis de serem esquecidas.
!5 de novembro,
1839 - a frota naval
farroupilha de Garibaldi foi massacrada no canal da Barra, no maior combate em
águas internas jamais travado na história do Brasil. 23 vasos de guerra
defrontando-se num combate de morte, onde a fragata “Bela Americana” lacrou o
destino da efêmera República Juliana.
![]() |
| Batalha naval do Canal da Barra - óleo sobre tela por Willy Zumblick |
1887 – fundação do Clube Blondin, que por123 anos pertenceu à
sociedade lagunense, construído com as mãos e a tenacidade de famílias
representativas da sociedade local.
Poderia estar em vias de ser simplesmente levado, esse patrimônio, à posse de particulares, sem nenhum direito legal para isso?
Tremem no túmulo, os ossos de Paulo Carneiro e a Laguna não pode esquecê-lo nunca.
Poderia estar em vias de ser simplesmente levado, esse patrimônio, à posse de particulares, sem nenhum direito legal para isso?
Tremem no túmulo, os ossos de Paulo Carneiro e a Laguna não pode esquecê-lo nunca.
1889 – é deposto do governo imperial, Dom Pedro II, expulso
do país, o melhor governante que o Brasil teve em sua existência, para
inaugurar a través da Proclamação da República, este caos administrativo de
corrupção que montou de rédeas e esporas nas costas do povo brasileiro.
2013 – A Câmara de vereadores
da Laguna determina o sepultamento do último reduto ecológico intocado
do Município, o paraíso do Gravatá, para ser esquartejado e repartido entre a
matilha da especulação imobiliária. Projeto infeliz e desqualificado, não tem
como explicar a destruição de um aquífero importante (o que é considerado
pecado mortal pelos órgãos federais ambientais), sem nenhuma infraestrutura
prevista para tratamento e destino de efluentes, que terá certamente o destino
certo, o mar, além de ferir acintosamente a lei que já o declarava reserva
ambiental.
Feriadão para todos os tolos embriagados
de preguiça e comodismo, que vão se acordar segunda-feira com uma cidade cada
vez pior de se viver, de trabalhar de arranjar um trabalho decente.
Nota: imagens recolhidas de postagem de Júlio Cesar Vicente (ambientalista)
Nota: imagens recolhidas de postagem de Júlio Cesar Vicente (ambientalista)
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
FINADOS - O DIA DA SUDADE
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| A MORTE DE SÓCRATES - José Maria de Medeiros (Portugal) |
Texto e postagem Márcio José Rodrigues
Estamos no dia de hoje, superando a casa dos 7
bilhões e duzentos milhões de habitantes no planeta Terra.
Já
pensou que daqui a 100 anos, só um século, toda essa multidão de humanos já
estará morta?
Se
nada de estranho acontecer, haverá, no entanto, mais de 10 bilhões em nosso
lugar, vivendo sob novas tecnologias, mas sentindo a mesma saudade, as mesmas
paixões, o mesmo medo, as
mesmas incertezas, as mesmas inquirições, alegrias, dúvidas, igual aos nossos
ancestrais das cavernas.
O
mundo evoluiu em espécies, lugares foram modificados, rios secaram, montanhas
sumiram, ilhas emergiram, continentes racharam, mas o velho ser humano ainda
teme a morte do mesmo jeito que um grupo de guaranis em torno de uma fogueira
numa noite escura.
Talvez
esta vida seja para nós, como um tronco de árvore a quem um náufrago se agarra
e não quer deixar, para nadar até uma praia bem à sua frente, com medo de não
poder chegar lá.
É
e será sempre medo do desconhecido.
Mas,
se a morte repete inexoravelmente seu ritual há milhares de anos, é porque ela
sabe que está certa.
Logo
mais, de modos diferentes, milhões de pessoas homenagearão seus mortos.
Levarão
flores, enfeitarão seus túmulos, acenderão velas, cantarão canções e até
dançarão para eles.
É o
grande dia universal de celebração da saudade que eles deixaram em nossos
corações, para não nos esquecermos de que o mundo só nos deixa provar uma fatia
de sua história.
Quem
sabe eles estejam a dizer-nos que procuremos viver melhor com nossos
semelhantes sem ambicionarmos mais do que o necessário para uma existência só.
Que
triunfe, pois, a saudade boa e doce dos nossos queridos, enquanto vivermos e a
esperança de outra vida onde nos encontraremos.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
A PRIMEIRA EUCARISTIA
Fotos, texto e postagem por Márcio José Rodrigues
Domingo que passou (27/10), a manhã ensolarada inundou de luz a encantadora Matriz de Santo
Antônio dos Anjos da Laguna na missa de PRIMEIRA EUCARISTIA da turminha deste ano de 2013.
Não bastasse a beleza do templo enfeitado de rosas brancas,
candelabros e velas decorativas, um encantador cortejo de túnicas brancas e
sorrisos puros, meigos, a fazer inveja aos anjos, merecia a atenção, os
olhares, a ternura e a expectativa dos presentes que lotavam o templo.
Uma chusma de almas puras ao primeiro encontro com seu maior
amigo para todo os dias de suas vidas e para além delas.
Era a renovação das promessas do batismo, a renovação da
bondade em nossos corações envelhecidos, o reacendimento da chama da fé
católica na Igreja.
O primeiro encontro formal das crianças com Jesus
Eucarístico, para satisfazer o maior gosto Dele, o de estar perto delas sempre.
E como elas estavam compenetradas, lindas, luminosas e
felizes.
Talvez algumas imagens possam ilustrar um pouco disso, no
lugar das palavras que não conseguem dizer.
| Panorâmica da nave - Igreja matriz de Santo Antônio dos Anjos da Laguna |
| Maria Helena , Maria Antônia , Laura e Juan (atrás) |
| Padre Pedro Damázio e Maria Antônia recebendo a primeira Eucaristia |
| Catequista Marlene Prates e Kailani |
| Maria Antônia e o bolo simbólico feito por vó Gracinha |
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