terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

AO BACHAREL MARCIO JOSÉ RODRIGUES FILHO

MARCIO JOSE RODRIGUES FILHO - Colação de Gau  UFSC (20/02/2014)


Nosso caçula é bacharel em direito.
Parece que nem faz tanto tempo que ele corria pela casa dando trombadas nos móveis e objetos ou quebrando sem dó o bracinho do meu precioso toca-discos Thechnics.
As primeiras ausências do lar, o jardim de infância, as aulas do primário no Jerônimo Coelho e a formatura do primeiro grau no Colégio Stella Maris.
Depois, as naturais rusgas como um adolescente bem alimentado e irrequieto, imaginativo e sonhador, quase sempre alegre e risonho, mas turrão quando se achava tolhido de algo que queria.
Aí aparecia o "aborrecente" insistente e teimoso, nada que quaisquer pai e mãe já não tenham vivido.
Então já eram quinze anos, a primeira namorada, as saídas preocupantes para as festas, nossas madrugadas insones, a primeira bebedeira e o sermão, como se a gente nunca tivesse passado por isso.
Enfim, o afastamento maior para morar sozinho em outra cidade, as preocupações da distância, os problemas do existir quotidianamente, o medo das drogas, um caminhar sempre atribulado de pais que, mesmo fazendo a experiência quatro vezes, com os quatro filhos, sofreriam as mesmas angústias, mesmo que fossem vinte.
Enfim, nessa quinta-feira que passou, vivenciamos de novo como se fosse a primeira vez, a emoção da colação de grau na universidade, uma felicidade que não tem medida, nem tamanho de gratidão para com Deus. Um privilégio, infelizmente, para poucos brasileiros, reconhecemos e, por isso, valorizamos ainda mais. Nesse momento, pensamos em nossos anjos aliados, os professores que o forneceram o conhecimento que nós não saberíamos dar. Os amigos que o apoiaram em horas difíceis, a família sempre unida e presente, os irmãos e aquele que sempre estava mais perto, o mano mais velho.
Nosso bacharel recebeu nota máxima em seu “Trabalho de Conclusão de Curso”, passou na prova de primeira fase da OAB e agora de novo, esperamos o resultado da segunda fase, com muita esperança.
- Filho, sabemos que tens a graça de uma inteligência aguda e inquiridora, que te preocupas com a justiça e o equilíbrio da justiça entre as pessoas.
Lembro agora de algo que li sobre os tribunais da antiga Atenas. Quando um acusado não tinha provas em seu favor, podia ser salvo por um “Paraclito”, cidadão honesto e de comportamento ilibado, que simplesmente se postava ao lado do réu, em silêncio, diante do tribunal. Bastava este apoio sem nenhuma palavra, para que o cidadão fosse absolvido.
O Paráclito, “aquele que fica ao lado” é a imagem adotada pelo cristianismo, para o Divino Espírito Santo, o supremo advogado diante do tribunal de Deus.
Esse é o colega que te acompanhará durante toda tua carreira, eu assim peço a Deus e, a ti, que O  acolhas.
Gostaríamos (e agora falo também pela Mãe Graça)  que pautasses tua vida profissional pela verdade, a justiça, a liberdade e principalmente pelo amor, sendo também aquele que se posta ao lado dos inocentes.
Feliz jornada.




ADEUS, AMIGO CLÁUDIO DIAS DE CASTRO RAMOS

ALBUM DE FAMÍLIA - Cláudio e Cecy, com filhas e netas.


  Estávamos em Florianópolis na última quinta-feira, para a formatura do nosso caçula Marcinho, na Faculdade de Direito as UFSC, o que ocorreria poucas horas depois.
Acordado, estava pensando no Cláudio e na Cecy, na vida deles e da nossa, na amizade de tantos anos.
Pensando no Cláudio, pelo ser humano que ele representou como o topo da evolução na escala da qualidade do ser.
Jamais conheci assim de perto alguém que tivesse tanta semelhança com a imagem do modelo planejado por Deus. Um homem tão grandioso quanto humilde e bom. Também não conheci alguém que fizesse da própria vida uma busca tão incessante da perfeição como humano, essa secreta paixão que ele alimentou pelo Deus que morava permanentemente em se coração.

Um homem sereno e calmo, mas corajoso como um profeta, capaz de romper com laços estabelecidos, na sua caminhada para o superior, o atemporal, o infinito. Um apóstolo que lançou todos os valores na caridade, no amor e na fé, tudo o que possuía, e como o conheci, posso testemunhar que jamais esperava algo em troca. Satisfazia-se completamente com uma secreta felicidade de ter feito algo de bom.
Nobre em todos os aspectos, soube vislumbrar em sua amada Cecy, a mulher capaz de seguir com ele a jornada de seguir a vida a dois, na mais perfeita cumplicidade de viver com amor, um eterno noivado, com sobras generosas para repartir com a família, os amigos e as pessoas, enfim.

Lamentamos não podermos estar pessoalmente presentes nestes momentos de dor, especialmente com Cecy, a quem abraçamos com amor e fraternidade.
Pessoalmente, também, sinto-me desprovido de méritos e grandeza para acrescentar qualquer coisa sobre este nosso amigo, mas de qualquer forma, a tristeza também vem agora dizer que é preciso sentir a sua perda.
Agradecemos ao bom Deus, nosso Pai, a graça de ter cruzado nossos caminhos e assim eu tivesse evoluído um pouco mais como ser humano, ao privar da amizade e da convivência com essa família. Acho que continuarei me inspirando em meu amigo, para seguir melhor o tempo que Deus me destinar ainda existir.

Um abraço de sentimento, de amizade e de amor a toda a querida família de Cláudio e aos amigos sinceros que ele cativou. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

SÍNDROME DAS JANELAS PARTIDAS

                                                                       
                                                                                                                          por márcio josé rodrihues

Há uns atrás, pesquisadores da Universidade e Stanford nos Estados Unidos, George Kelling e James Wilson fizeram uma interessante experiência em comportamento humano. Abandonaram dois automóveis iguais em dois bairros diferentes. Um em Nova York, no Bronx, bairro mais violento e pobre da cidade. O carro foi depredado no mesmo dia, desmontado; roubaram tudo que era possível, desde motor, rodas, bancos, rádio, peças e o que não podia ser levado foi destruído.
O outro veículo foi abandonado em um bairro classe A na cidade de Palo Alto na Califórnia.
Alí, o carro permaneceu intacto por várias semanas, sem sequer um arranhão. Porém, a pesquisa continuou e o passo seguinte, foi quebrar-lhe uma das janelas. A partir desse momento, no bairro rico, o comportamento foi o mesmo do bairro pobre de Nova York, carro depenado, vandalizado, depredado até virar sucata.

Como explicar essa mudança de comportamento?
Quando se permite que algo pareça abandonado, o comportamento das pessoas é esse, de depredar destruir, menosprezar, desvalorizar, desrespeitar.
Já notou como em uma casa com uma vidraça quebrada sem conserto, logo, logo as outras também são destruídas a pedradas? Vândalos logo sentem-se à vontade em ocupar um edifício abandonado, transformá-lo em cortiço, destruí-lo, incendiá-lo.
Baseado nessa pesquisa o Prefeito de Nova York, Rudolph Juliani, atacou o problema dos crimes comuns no metrô, parques, praças com a famosa investida “Tolerância Zero”, onde qualquer contravenção, por menor que fosse, uma pichação, um simples furar uma fila era punido exemplarmente. O resultado surpreendente, foi o a queda drástica da criminalidade em Nova York, a um índice dos mais baixos do mundo.
Em certa oportunidade um indivíduo comum foi preso por um simples pular a borboleta do metrô. Levado à delegacia para as diligências de praxe, descobriu-se tratar-se de um dos criminosos mais perigosos e procurados pela polícia, “O assassino de Central Park”, que estuprava, assaltava, matava suas vítimas e vinha à muito tempo ludibriando a polícia. Se a contravenção da borboleta do metrô fosse esquecida, ele estaria ainda a estrangular suas vítimas, impunemente.
Mentalize a imagem de uma janela com vidraças partidas e tente traçar um paralelo entre certos fatos com os quais estamos convivendo.
Brasil, insegurança, criminalidade e impunidade.
Justiça, tolerância, proteção, demora, improbidade.
Poder público, falcatruas, escândalos, crimes.
Educação, escolas feias e carentes, professores mal pagos.
Cidade feia, abandonada, buracos, sujeira, matagal, calçadas caóticas.
Saúde, postos públicos, hospitais falidos, funcionários despreparados.
Nossa própria casa, pintura, limpeza, cuidados, apresentação.
Só pra começar uma série de artigos sobre a situação de nossa cidade.

Para saber mais:
Broken Windows – George Kelling e Ctherine Cobs.




domingo, 9 de fevereiro de 2014

UMA HISTORIA DE GATO

Imagem ilustrativa - Googlr


UMA HISTORIA DE GATO
                                         por Márcio José Rodrigues

A história que passo a narrar é verdadeira e aconteceu há uns poucos anos com uma amigo meu.
Depois que ele descobriu que tinha um câncer de garganta e sua voz desapareceu atrás de um tubo de traqueotomia mal escondido por um lenço no pescoço, seus parceiros de clube, de cervejadas e partidas de dominó foram- se afastando, rareando as visitas e por fim, desaparecendo por completo.

Foi no tempo em que um gato de rua, adotado por sua filha, apegou-se mais a ele e ele também ao animal.  O bichinho parecia entender que algo não estava bem. Passou a fazer-lhe companhia constante. Gostava de sempre estar perto e enrolar-se no seu colo, ronronando suave em troca de carinho.
Era seu único amigo, silencioso, assíduo, fiel.
Não bastasse a companhia no sofá em frente à televisão, o gato passou a dormir em seu quarto, às vezes ao se lado na cama ou debaixo dela, companheiro de todas as horas. Era sempre o primeiro a  fazer-lhe o primeiro carinho matinal. Um bom dia miado com manha e simpatia.

Seguiram-se as cirurgias, as sessões intermináveis de radioterapia, as dores, os sofrimentos, as angústias naturais de quem se encontra dentro de uma doença mortal. O bichano cada vez mais atencioso e dedicado, parecia misteriosamente compreender o drama vivido pela família.

Numa certa manhã, notaram que o gato não estava bem. Cuidaram dele o dia todo com muito desvelo e, como não estivesse reagindo, levaram-no à noite a uma emergência veterinária. Meu amigo, mesmo em estado doentio, fez questão de acompanhar, mas ficou na sala de espera enquanto sua esposa entrou no consultório do doutor.
O diagnóstico foi tão desanimador quanto surpreendente e inacreditável.

- A senhora acredita em coisas misteriosas e inexplicáveis? – perguntou o doutor, acrescentando:
- Seu gato está roubando a doença de seu marido. Ele está com câncer, vai morrer, mas seu marido vai se curar. Eu já li sobre isso, em alguns relatos sobre animais, mas não tenho explicação!

O animal não durou muito tempo e eles o faram enterrar no terreno do clube, dando-lhe uma espécie de sepultura digna como homenagem.
O que o veterinário afirmou, aconteceu!
Recentemente estive a conversar alegremente com meu amigo, já passados alguns anos da cura total e da recuperação da voz, do bem estar e de uma vida normal.

Foi quando ele me segredou este caso enquanto tomávamos um café.

sábado, 28 de dezembro de 2013

O TEMPO E OS ANOS

LA PERSISTENCIA DE LA MEMORIA  - Salvador Dali,1931
Márcio José Rodrigues
Não está escrito no livro do Gênesis, mas muitas outras coisas aconteceram que não foram relatadas.
Deus disse: “Incline-se o eixo da Terra para que seja iluminada desigualmente durante sua volta de um ano em torno do sol. Que se façam quatro estações distintas, que haja primavera, que haja verão, inverno e outono.”
E o homem aprendeu que haveria tempos de luz e de sombra, de flores e de folhas mortas, de fartura e necessidade. 
Tempos de correr livre e brincar pelos campos, tempos de banhos nos rios e de pescar, de dançar em torno do fogo, celebrando canções de amor.  Moças nuas e rapazes musculosos a ostentar a beleza de seus corpos enfeitados de tintas e de plumas nos reflexos avermelhados das chamas.
Sábios e experientes caçadores contavam de suas façanhas,  lembravam feitos de grandes guerreiros, repetidamente, palavra por palavra, noite após noite, para que a história se perpetuasse nas mentes  e nos corações e depois fossem retransmitidas aos descendentes até serem finalmente escritas milênios depois.
As folhas amarelando e caindo e exuberância dos frutos maduros, a festa dos alegres gritos das crianças a se fartarem livres e sem culpas nas exuberantes árvores do paraíso.
Tempos de se recolherem na escuridão das cavernas nas noites intermináveis de frio, na escassez dos alimentos, no medo das trevas e seus mistérios que só os velhos sabiam desvendar; o tempo a passar lento, mas de maior aconchego, de novas histórias, dos monstros da noite, da fúria dos espíritos do vento, do frio e dos raios.
O acordar numa manhã luminosa ao som mavioso do trinado de um pássaro, a erva verde a despontar por entre as brechas da neve e as flores explodindo cores pela campina enfeitada de primavera; o alívio milagroso no coração, porque a vida ressuscitava e se renovava a promessa de novas esperanças, tempos de festa, alegria, felicidade.
Depois, quando perdeu a inocência, o homem ganhou orgulho e soberba e um dia achou que podia aprisionar o tempo e até comandá-lo, como se fosse um animal que domesticara ou o escravo que aprisionara. Inventou o relógio e o calendário e impôs normas para o apito pontual da fábrica, o momento exato das refeições, das crianças aprisionadas em horas rígidas em salas de aula, comandadas por sirenes que lhes determinam ordens subliminares de ficarem em silêncio, manifestar alegria ou até liberarem seus intestinos e bexigas.
Assim, impôs a toda a humanidade que superlota o planeta, que ao encerrar o dia 31 de dezembro de cada ano, no exato momento em que o tempo se confunde naquele segundo de separação, que comece uma grande festa, que as pessoas permaneçam acordadas e se embriaguem e comam por que um novo tempo vai começar.
O velho tempo, porém em sua pachorra de simplesmente passar, nem toma conhecimento disso, inexorável, indiferente.
Mas, convenhamos, é necessário que a gente pare um momento para deixar a esperança aflorar em nossos corações, nem que seja por decreto e convenção e fazermos a necessária pausa na rotina e por um dia pelo menos, sermos primitivos e inocentes como nossos ancestrais do paraíso. Precisamos muito disso, mais do que nunca.
Deixemos ao nosso espírito, a oportunidade de recomeçar a vida como se ela estivesse nascendo outra vez, numa oportunidade de sermos melhores e fazermos as coisa certas.
Então, FELIZ ANO NOVO!
FELIZ 2014.



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

REQUIEM PARA UMA CIDADE

CÂMARA MUNICIPAL DE LAGUNA ENTREGA PARAÍSO ECOLÓGICO  DO GRAVATÁ À ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA.

ESPERO QUE O PREFEITO EVERALDO SOS SANTOS TENHA BOM SENSO E CORAGEM DE VETAR ESSE ABSURDO.
(abaixo republico meu canto de luto, " Requiem para uma Cidade"


Foto Ana Barzan

Foto Ronaldo Amboni.

Réquiem para uma cidade
Márcio José Rodrigues

Minha querida cidade
Onde passei minha infância,
Onde colhi a fragrância
Dos dias da mocidade.

Onde plantei os meus sonhos,
Onde sonhei meus amores,
Onde, nas mãos de impostores,
Chegaram dias tristonhos.

Venho encontrar-te em desgraça
Abandonada na rua,
Miserável, pobre e nua
Em tua fria carcaça.

Ao teu cadáver,  a massa
Baixa os olhos, de vergonha,
Toda esta gente pidonha,
Indiferente, que passa.

O que fizeram contigo?
Quem te feriu desse jeito?
Quem rasgou assim teu peito
E te infringiu tal castigo?

Pobre,  mendiga cidade
Das ruas cheias de lixo,
Do " cidadão" que é um bicho,
Que te suga sem piedade.

Seu  caráter,  tão rameiro,
Que mesmo não sendo pobre,
Por umas moedas de cobre
Te vende por vil dinheiro.

Gente que se acha astuta
Faz do voto um rendimento,
Como o gigolô nojento,
Que vive da prostituta.

Só te sobrou esta escória
Para suster teu presente?
O que quer toda essa gente
Que te perdeu a memória?

Ao turvar este teu  brilho,
Ao te cavar teu jazigo,
Na mesma tumba, contigo,
Sepulta seu próprio filho.

Pois, quem mata sua terra,
O próprio destino sela:
Também vai morrer com ela
E a mesma cova o enterra.



terça-feira, 26 de novembro de 2013

LEITORES MIRINS NA ESCOLA PADRE AUGUSTINHO

                                                    Márcio José Rodrigues

Nossa Senhora atravessando o canal da barra no dorso do siri - painel aprox. 1,50  x 1,29 por alunos e professoras  da escola \padre Augustinho - Laguna, Brasil

Sábado último, à tarde, fomos, eu e o escritor Bonifácio Vieira, convidados para uma entrevista com alunos, pais e professores do Centro Educacional Infantil Padre Augustinho
Os alunos da Especialização em Letras e Língua Portuguesa da faculdade FUCAP de Capivari tiveram participação especial em importantes questões formuladas.
Em se tratando de uma instituição municipal desenvolvida a partir de uma creche que hoje se dedica a educação infantil de zero a 6 anos, surpreendeu-nos o trabalho pedagógico avançado que aquelas professoras realizaram com alunos de idade tão tenra para despertar-lhes o gosto precoce pela leitura e interesse por livros e autores.


Os siris - pintura e dobradura em papel 

No caso de meu livro “Antônio dos Botos”, o conteúdo foi trabalhado durante meses, de maneira que as crianças entenderem a história narrada, o tempo, os personagens e enredo, a ponto de desenvolverem trabalhos gráficos com várias técnicas, pintura, recortes e montagens, demonstrando perfeitamente o entendimento pleno da obra.

Só faltava para as crianças, conhecerem e conversarem com o autor. Uma menininha de 5 anos aproximou-se e me perguntou. “por que é que o senhor gosta de escrever para a s crianças?”
Aí, eu derreti diante daqueles olhinhos brilhantes e curiosos.



Uma excelente tarde de proximidade e interação com as crianças, seus pais, professores e os universitários.

Cumprimento a todas as professoras e agradeço a calorosa recepção da Diretora Márcia Adriana Feltrin, secretária Juliana Fagundes de Carvalho e a professora Fernanda Saviato Knabben, professora Bruna Neves da Fucap e seus alunos, inclusive Bruna.



O linguado - painel : pintura, dobradura e colagem

Nossa Senhora, o siri, o boto e o linguado. montagem

Detalhe da plateia


Autores Márcio e Bonifácio (sentado)

Profesoras e alunos da Fucap

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

GANGA ZUMBA

uma mulher muito linda - imagem Gooogle
                                   

Márcio José Rodrigues

Gostaria que esse fosse simplesmente o “Dia da Consciência".

DIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA.

 De as pessoas todas depararem-se consigo mesmas e darem-se conta de que cada uma é um ser individual e coletivo, com a possibilidade de viver sua vida particular e poderem participar numa sabedoria comunitária de sobrevivência, convivência e colaboração.

Gostaria que as pessoas olhassem para uma mulher na rua e observassem apenas se é jovem, criança ou madura, se é bela ou elegante; se seus cabelos são loiros ou castanhos, lisos, crespos, longos ou curtos, 
se ela é clara, escura, alta ou baixa.
Simplesmente colhessem a impressão que lhes causa, boa ou ruim, 
agradável ou desagradável.

O mesmo para um homem, se parece um executivo, um operário, um turista, um estudante, conhecido ou desconhecido, amigo, parente.

Pessoas colhendo de pessoas, apenas impressões naturais, de simpatia ou até desinteresse, neutralidade ou afeto.
Até gostar ou não gostar, com naturalidade.

Sei que o mundo chegará aí, com tempo e sem traumas numa convivência cada vez maior sem nenhum preconceito, consciência coletiva de que somos apenas pessoas e especialmente humanos à imagem e semelhança uns dos outros, porque à imagem de Deus.

Como cantávamos na missa de domingo:

Filhos do mesmo Pai
Com sangue da mesma cor
Herdeiros do mesmo céu
Nascidos do mesmo amor.


sábado, 16 de novembro de 2013

XV DE NOVEMBRO - NADA A COMEMORAR

                                                                                Márcio José Rodrigues            

Hoje o dia do feriado poderia ter amanhecido de gala, mas para Laguna trouxe coisas tristes e difíceis de serem esquecidas.
!5 de novembro,

1839 -  a frota naval farroupilha de Garibaldi foi massacrada no canal da Barra, no maior combate em águas internas jamais travado na história do Brasil. 23 vasos de guerra defrontando-se num combate de morte, onde a fragata “Bela Americana” lacrou o destino da efêmera República Juliana.
Batalha naval do Canal da Barra - óleo sobre tela por Willy Zumblick

1887 – fundação do Clube Blondin, que por123 anos pertenceu à sociedade lagunense, construído com as mãos e a tenacidade de famílias representativas da sociedade local. 
Poderia estar em vias de ser simplesmente levado, esse patrimônio, à posse de particulares, sem nenhum direito legal para isso?
 Tremem no túmulo, os ossos de Paulo Carneiro e a Laguna não pode esquecê-lo nunca.

1889 – é deposto do governo imperial, Dom Pedro II, expulso do país, o melhor governante que o Brasil teve em sua existência, para inaugurar a través da Proclamação da República, este caos administrativo de corrupção que montou de rédeas e esporas nas costas do povo brasileiro.
Vista da Reserva do Gravatá - foto Ronaldo Amboni

2013 – A Câmara de vereadores  da Laguna determina o sepultamento do último reduto ecológico intocado do Município, o paraíso do Gravatá, para ser esquartejado e repartido entre a matilha da especulação imobiliária. Projeto infeliz e desqualificado, não tem como explicar a destruição de um aquífero importante (o que é considerado pecado mortal pelos órgãos federais ambientais), sem nenhuma infraestrutura prevista para tratamento e destino de efluentes, que terá certamente o destino certo, o mar, além de ferir acintosamente a lei que já o declarava reserva ambiental.

         
Feriadão para todos os tolos embriagados de preguiça e comodismo, que vão se acordar segunda-feira com uma cidade cada vez pior de se viver, de trabalhar de arranjar um trabalho decente.

Nota: imagens recolhidas de postagem de Júlio Cesar Vicente (ambientalista)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

FINADOS - O DIA DA SUDADE

A MORTE DE SÓCRATES -  José Maria de Medeiros (Portugal)
                                       Texto e postagem Márcio José Rodrigues
       
 Estamos no dia de hoje, superando a casa dos 7 bilhões e duzentos milhões de habitantes no planeta Terra.
Já pensou que daqui a 100 anos, só um século, toda essa multidão de humanos já estará morta?
Se nada de estranho acontecer, haverá, no entanto, mais de 10 bilhões em nosso lugar, vivendo sob novas tecnologias, mas sentindo a mesma saudade, as mesmas paixões, o mesmo medo, as mesmas incertezas, as mesmas inquirições, alegrias, dúvidas, igual aos nossos ancestrais das cavernas.
O mundo evoluiu em espécies, lugares foram modificados, rios secaram, montanhas sumiram, ilhas emergiram, continentes racharam, mas o velho ser humano ainda teme a morte do mesmo jeito que um grupo de guaranis em torno de uma fogueira numa noite escura.
Talvez esta vida seja para nós, como um tronco de árvore a quem um náufrago se agarra e não quer deixar, para nadar até uma praia bem à sua frente, com medo de não poder chegar lá.
É e será sempre medo do desconhecido.

Mas, se a morte repete inexoravelmente seu ritual há milhares de anos, é porque ela sabe que está certa.
Logo mais, de modos diferentes, milhões de pessoas homenagearão seus mortos.
Levarão flores, enfeitarão seus túmulos, acenderão velas, cantarão canções e até dançarão para eles.
É o grande dia universal de celebração da saudade que eles deixaram em nossos corações, para não nos esquecermos de que o mundo só nos deixa provar uma fatia de sua história.
Quem sabe eles estejam a dizer-nos que procuremos viver melhor com nossos semelhantes sem ambicionarmos mais do que o necessário para uma existência só.
Que triunfe, pois, a saudade boa e doce dos nossos queridos, enquanto vivermos e a esperança de outra vida onde nos encontraremos.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A PRIMEIRA EUCARISTIA

                                              Fotos, texto e postagem por Márcio José Rodrigues

Domingo que passou (27/10), a manhã ensolarada  inundou de luz a encantadora Matriz de Santo Antônio dos Anjos da Laguna na missa de PRIMEIRA EUCARISTIA  da turminha deste ano de 2013.
Não bastasse a beleza do templo enfeitado de rosas brancas, candelabros e velas decorativas, um encantador cortejo de túnicas brancas e sorrisos puros, meigos, a fazer inveja aos anjos, merecia a atenção, os olhares, a ternura e a expectativa dos presentes que lotavam o templo.
Uma chusma de almas puras ao primeiro encontro com seu maior amigo para todo os dias de suas vidas e para além delas.
Era a renovação das promessas do batismo, a renovação da bondade em nossos corações envelhecidos, o reacendimento da chama da fé católica na Igreja.
O primeiro encontro formal das crianças com Jesus Eucarístico, para satisfazer o maior gosto Dele, o de estar perto delas sempre.
E como elas estavam compenetradas, lindas, luminosas e felizes.

Talvez algumas imagens possam ilustrar um pouco disso, no lugar das palavras que não conseguem dizer.


Panorâmica da nave - Igreja matriz de Santo Antônio dos Anjos da Laguna

Maria Helena , Maria Antônia , Laura e Juan (atrás)

Padre Pedro Damázio e Maria Antônia recebendo a primeira Eucaristia

Catequista Marlene Prates e Kailani


Maria Antônia e o bolo simbólico feito por vó Gracinha





quarta-feira, 16 de outubro de 2013

DIA DO PROFESSOR

Boa noite.
Faltam uns poucos minutos para acabar o  "Dia do Professor”.
Deixei este momento para fazer um registro. Nosso modelo de educação falhou no aspecto de “Educar para a Educação”.
Deus quando fez o primeiro ser vivo, cuidou de fazer o DNA, para que sua criatura se perpetuasse através dos tempos e evoluísse.
Nós cuidamos de formar engenheiros, médicos, advogados e descuidamos de formar governadores. Governadores e policiais.
Hoje, os governadores tratam a educação como fardo, os professores como problemas e os alunos como despesa.
Por isso, sucateiam as escolas e humilham o professor.
O governador manda bater sem dó em seus professores.
A Polícia bate sem misericórdia naqueles que seguraram suas mãos para escrever.
Mas eles as usam para bater.
Ninguém se lembrará de vocês no futuro, nem colocará no ar para vocês, auras de ternura, nem pétalas de flores no seu dia.
O futuro dirá que não precisaremos mais de policiais nem governadores, mas jamais abrirá mão dos professores.



Ressurreição

se a lei desta existência dispusesse,
que voltar da outra vida facultasse,
se tudo igual de novo acontecesse
mesmo que um milênio se passasse,

mesmo que tudo outra vez sofresse,
mesmo que o poder me injustiçasse
e a polícia de novo me batesse
e a mão da ignorância me travasse

e se um mísero salário recebesse
e por ser pobre, alguém me desprezasse
e se meu filho não compreendesse,
que a miçanga do mundo lhe faltasse,

se o eterno senhor me permitisse,
que um dia, aqui voltasse,
quisera que um favor me concedesse:
- de novo, professor eu retornasse!

márcio josé rodrigues


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MATÉRIA PUBLICADA NO BLOG DE ARI ZANELLA

PELO PRAZER DE CONTRARIAR

Esta notícia relatando um episódio da vida do decano juiz do STF Celso de Mello é um depoimento do jurista Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça no governo de José Sarney e o responsável pela nomeação de Celso de Mello para o STF. Saulo fez a revelação no seu livro "Código de Vida", Editora Planeta, 8º edição, 2007. Numa entrevista à Veja, em 2007, o saudoso Saulo Ramos disse sobre o mensalão que o processo estava muito bem montado pela Procuradoria-Geral da República e que as afirmações do então presidente de que não sabia de nada eram "uma agressão à inteligência dos brasileiros."
Aqui está o depoimento sobre Celso de Mello, seu amigo pessoal, inserido no livro acima:

“Terminado seu mandato na Presidência da República, Sarney resolveu candidatar-se a Senador. O PMDB — Partido do Movimento Democrático Brasileiro — negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal.
Naquele momento, não sei por quê, a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:
— O processo do Presidente será distribuído amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o Marco Aurélio de Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo do Presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão.
— O Presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está absolutamente correta.
Celso de Mello concordou plenamente com a observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato, isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.
O advogado de Sarney era o Dr. José Guilherme Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de Senador e, nos últimos cinco anos, o de Presidente da República. Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.
O sistema de sorteio do Supremo fez o processo cair com o Ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.
Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura do Sarney.
Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.
Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:
— Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do Presidente.
— Claro! O que deu em você?
— É que a Folha de S. Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o Presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o Presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S. Paulo. Mas fique tranqüilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente.
Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:
— Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?
— Sim.
— E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?
— Exatamente. O senhor entendeu?

— Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”
Delenda est Carthago - É preciso consertar o nosso Judiciário criando mecanismo de eleições internas para escolha de seus novos membros!