sexta-feira, 10 de junho de 2011

FÁBULA ATUALIZADA DOS TRES PORQUINHOS

por Márcio José Rodrigues

Para começar esta história, devo dizer que nunca entendi porque três porquinhos domésticos estavam morando em uma floresta cheia de armadilhas e um lobo mau que só desejava comê-los.


Como porquinhos domésticos, não se desgastavam em trabalhar,
já que  estavam acostumados a ser alimentados e para eles nem interessava de onde saia a comida farta e fácil.

O caçula chamava-se Cícero e passava os dias tocando flauta e dançando. Heitor, o do meio, um exímio violinista. O mais velho, não tinha nada de romântico . Como era mesmo nome? Ah! Começava com a letra pê.... Prático, isso!
 Prático era o nome do porquinho mais velho. Prático, prudente, previdente, prevenido, precavido, ao saber que um lobo mau andava rondando a floresta para comê-los, foi morar na casa mais forte, uma verdadeira fortaleza capaz de blindar qualquer morador que nela se alojasse.

Na história que gente aprendeu, Cícero, o flautista, construiu um casebre de gravetos e palha, Heitor o violinista, uma de madeira e Prático, uma forte casa de tijolos e argamassa de cimento.

Como todo mundo pensa que já sabe o enredo, espera que lobo mau destrua a casa de gravetos, depois a de madeira e esbarre por fim na fortaleza do porquinho sabido.

Pois foi a maior surpresa!

Lobo Mau começou o ataque exatamente pela fortaleza e comeu o porquinho mais sabido. Agora ficou bem mais fácil atacar a casinha de madeira e depois a de palha.

Tem algo novo muito estranho acontecendo na floresta.

Como, pôde Lobo Mau inverter o curso da fábula?

Dizem que foram uns fofoqueiros que escreveram coisas, espalham as notícias por toda a floresta e acabaram revelando um buraco secreto na parede.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

TINA SABE, TINA PULA!

 

Princesinha , com seus olhos grandes e escuros, cílios longos e encurvados, cresceu.
Comemora mais um aniversário ( pra mais de trinta) neste 9 de junho, data  que,  quando pequena, saia anunciando pela cidade e arrebanhando convidados de surpresa. 
Como dona Graça a vestia sempre com muito esmero, ela conservou até hoje este apuro pelo bem vestir, terror dos guarda roupas atulhados.
Gostava de fugir para as vizinhanças.
Um dia, uma cigana a viu no portão da casa, e fez uma proposta de comprá-la.
Não levamos a sério.
Tina despareceu!
 Foi um Deus nos acuda.
Delegado Péricles Faria, com muita prudência,  colocou a polícia de prontidão. A suspeita caia sobre as cabeças dos pobres ciganos, mas eles nem foram molestados. 
Ela havia simplesmente se infiltrado na casa da vizinha Dona Laura, se escondido atrás de um sofá, onde dormiu uma sesta despreocupada.

Sempre teve uma alegria muito grande em aprender algo novo.
Tinha uns três anos e havia finalmente aprendido a pular numa perna só. Escutei uns "tum-tum" no assoalho de madeira da sala. Ela era pulando como um saci, e dizendo para si mesma, super convencida:
- Tina Sabe! Tina Pula!
Isto não era coisa simples, como parece. Ela havia treinado muito até chegar ali.
Esta vontade de  aprender e conseguir lutando, sempre a impulsionou mais longe, para as metas que deseja, mas sem deixar o  romantismo que a caracteriza.
Desenvolveu um alto senso de questionamento social, uma sede de conhecer a verdade das coisas e por isso aplica-se a fundo nas atividades que exerce.

Cursou odontologia, fez curso de aperfeiçoamento em Cirurgia Bucal, Pós-graduação em Odontopediatria, Pós-graduação em Saúde Pública e agora é acadêmica de Direito.
Pessoalmente acho que é por causa da justiça e pelo atendimento de qualidade aos mais necessitados. Isso a deixa inquieta.

Ela é uma lutadora como um Che Guevara, " pero sin perder la ternura jamás”!
Consegue ser ao mesmo tempo, esposa, mãe dedicada, cozinheira, funcionária e estudante.
Coisas das grandes mulheres que conseguem enfrentar a vida nas cidades dos dias atuais.

Para nós, sobra amor, carinho, orgulho e a confissão de que às vezes, para nós ela ainda não cresceu. Tem horas que a gente confunde a doutora Ana Christina, com a princesinha.

EM NOME DA AMIZADE VERDADEIRA

por márcio José Rodrigues
Foto Jorge Sidney Abrahão


Três personagens muito queridos.
Carlinhos Rollin, de amarelo, Batista Abrahão ao centro, e João Alfredo Dias ou John Alfred Days, o Babá, com a cerveja.
Embora quase 30 anos mais jovens que Batista, esses dois eram seus amigos inseparáveis e o visitavam todos os dias. Comunmente eram vistos passeando a passos lentos com ele pelas ruas, para um banho de sol.
O que conversavam? Porque riam? Futebol, criticando o Botafogo e zoando o Fluminense... fofocas, velhos tempos, os buracos das calçadas e quem sabe um malho na prefeitura.
Carlinhos também o levava para tomar cerveja no Bar do Arantes.
Muitas vezes, eu vi!
Falamos tanto em amizade em poemas e crônicas.
Eis aí a foto dela.


 Babá faz aniversário neste dia 9 de junho.
Com o maior abraço e votos de felicidades, convido os leitores a enviarem comentários através deste blog.

A PANDORGA NO CÉU

Texto e imagem - Ma de Fátima Barreto Michels

Não sei dizer a origem do apelido pelo qual era chamada.
Codinome imposto que ela odiava, mas a Pandorga andava sempre com um vestidinho de tecido bem fino, cuja  saia franzida, os  ventos nordeste ou de sul,  sempre levantavam.
Impropérios eram ditos a todos quantos a importunavam, caso insistissem  no apelido, o que era comum, nas suas viagens etílicas pela cidade.
Revisitava diariamente as ruas, onde na juventude fizera muitos favores, ao estilo de Maria, a de Magdala.
Um dia, ou melhor, uma noite, ela andava pelo cais do centro histórico, ali pelo Mercado Público e foi mirar-se nas águas. Quem sabe, tal qual Ismália, a de Alphonsus,
Edite descobrira uma lua no mar e fora até lá, voando naquela leveza própria das pipas.
 Aconteceu o inesperado, um peixe-rei encantou-se com a sua rabiola, saltou e vapt! A pequena criatura afogava-se na Lagoa Santo Antonio dos Anjos da Laguna!        
Usando túnica e capucho de cor marrom, caminhando sobre as águas, aquele moço bonito, o Antônio Fernando, que pregava aos peixes, percebeu tudo. Justamente ele, interrompeu seu sermão, correu e amparou a Pandorga em seus braços. Depressa a levou para uma nuvem bem alta, até que ela se refez.
Edite foi finalmente ter seu lugar de honra, naquela mesa.
Lá, onde felizes são os convidados. 
E assim, tipo o jeito que Irene, a de Bandeira, chegando ao andar de cima, a Pandorga foi logo entrando e dizendo:
- Licença, meu santo!
“E São Pedro bonachão:”
- Entra, Edite!
“Você não precisa pedir licença”


Maria de Fátima Barreto Michels é professora, poeta, e escritora, membro Presidente do grupo Carrossel das Letras de Laguna, SC.
Foto MJR
postagem Márcio José Rodrigues

segunda-feira, 6 de junho de 2011

BATISTA ABRAHÃO, UM PILOTO COM 7000 HORAS DE VOO


Banner colocado na barraquinha do avião, sensibilidade dos festeiros de 2011.

por Márcio José Rodrigues

Desde que me conheço por gente, jamais perdi uma festa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna.  Nos tempos de juventude, no calor das arrasadoras paixões, tão fulminantes como passageiras, nos dourados anos 60, os 13 dias da parte profana da festa eram realizadas ao ar livre nas noites frias de quase inverno no adro da matriz. Espaço grande abrigava uma dezena de barracas apenas cobertas com um toldo de pano colorido. O frio cortante não vencia o entusiasmo, nem as roupas novas que faziam das noites um eterno desfile de moda das moças lindas da próspera cidade. Quentão de vinho com pinhão, aqueciam o coração e  e o corpo e ajudavam a aproximar os enamorados. Num poste, um serviço de alto falantes rodava os vinis com músicas animadas e também as românticas. Dedicatórias, nem sempre encomendadas pelo galã anunciado, eram truques de amigos para, às vezes, fazer uma casal apaixonado desembuchar de vez.  " O jovem João Osvaldo Ferraz de Mello, dedica à senhorita Marília, "Encosta tua Cabecinha no meu ombro e chora", como prova de amor e carinho." E funcionava. Muitos casamentos começaram aí.
Havia porém, além de tudo, a barraca do aviãozinho conduzida por um cidadão, o Batista, alegre e comunicativo, a maior atração da quermesse. Um teco-teco de lata acionado  por possantes hélices de um motor elétrico, "voava" em círculos sobre uma mesa redonda com os números da sorte, distribuindo galinhas assadas ricamente embaladas em um prato de papelão com farofa,  envolto em papel celofane. Batista Abraão ( o nome verdadeiro era João José Abrahão) nunca arredou o pé daquela  barraquinha e daquele compromisso com a Igreja, por mais de meio século, em qualquer tempo e em qualquer circunstância. Os tempos mudaram e o aviãozinho de lata, foi substituído por um moderno jato DC 10 , mas o piloto adaptou-se maravilhosamente, sem qualquer transtorno. Envelheceu na carreira e jamais se aposentou, até que seu amigo Santo Antônio veio buscá-lo para uma viagem maior, mesmo porque o velho Batista já estava com saudades de certas pessoas.
Lembro-me dele, da minha juventude, das moças elegantes da festa, dos sonhos de uma época tão linda e me dou conta de como ele fez parte de nossas vidas.
Neste momento, ocorre-me um pensamento:
Acho que ele foi para o céu de avião!



Novo avião da barraquinha.  Batista foi o primeiro a pilotá-lo como um ás.

 João José Abrahão era homem de milhares de amigos. Sócio da loja  "A POPULAR - ACASA DA LINDA BAIANA", era nas horas de folga, um exímio churrasqueiro. Nos fins de semanan de descanso, pilotava também os espetos e sempre gratuitamente, em casamentos, aniversários, festas beneficentes, para a Igreja, a Maçojaria, o Centro Espírita, ou quem precisasse, sem distinção.  Era parte de um grupo formado por ele, o Batista, Atalibinha, Gonçalo, Onildo, Quido, Otavinho, os mais antigos. Não cobravam nada, mas bebiam cerveja como um carro pipa. Posso falar porque paguei este cachê no churrasco da minha despedida de solteiro.

CLUBE TRÊS DE MAIO TEM POSSE FESTIVA DE NOVA DIRETORIA

 por Márcio Rodrigues
Domingos Carvalho da |Rosa , José Alves Fernandes (Zé Mala) e André Bacha



Vice-presidente Orlando Vieira, Presidente Waldy Sant'Anna Junior  e  Orador Márcio. Rodrigues

Neste domingo, 5 de Maio, a SOCIEDADE RECREATIVA 3 DE MAIO, no seu 104º ano de atividade ininterrupta no bairro de Magalhães em Laguna, SC, empossou nova diretoria para o próximo biênio.
Após uma cerimônia simples, partindo de uma corretíssima prestação de contas, o Presidente ANTÔNIO SILVEIRA FILHO, entrega a associação com patrimônio acrescido, ausência de dívidas e recursos em caixa. 
Recebeu o posto,  WALDY SANT'ANNA JUNIOR,  que imediatamente deu posse aos membros dos diversos cargos da nova diretoria e delineou suas metas para o mandato.
Seguiu-se o tradicional coquetel com a participação de todos os presentes e membros da imprensa local.
O 3 DE MAIO, em meio à crise pela qual passam todos tipos de sociedade desse gênero, (clubes sociais constituídos por quadros de sócios aprovados por diretoria e pagamento de anuidades  -  que estão fechando para dar  lugar aos bailões do tipo pagou/entrou),   ao contrário, está em pleno desenvolvimento, aumentando seu espaço físico, com vista a investimentos direcionados aos jovens, como por exemplo, quadras esportivas, porquanto já possui um grande e suntuoso salão de bailes, boate, bar, restaurante e churrascaria, academia de ginástica, cancha de bocha in-door, sala de jogos, entre outros.
Continua promovendo festas e bailes tradicionais com programações diversas, bailes de carnaval, sempre muito concorridos congraçando as famílias que ainda procuram um local de encontros, saudável, respeitoso e seguro.
Qual o segredo da receita desse  sucesso que teima em afrontar os modismos?
Parece que a lisura e a honestidade têm sido a marca dos presidentes do Clube.
Algo simples assim.



A nova Diretoria



Ex-presidentes Jayson Domiciano, Antônio Silveira Filho com Dr. Juaci Ungaretti
 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A GREVE DOS PROFESSORES

PARA ONDE   VAI A EDUCAÇÃO?
SANTA CATARINA, PISO SALARIAL DO MAGISTERIO E
 ACHATAMENTO DO PLANO DE CARREIRA
por Márcio José Rodrigues

O  senhor Governador do Estado de Santa Catarina, ao tentar justificar sua posição em relação aos ajustes dos proventos do magistério estadual, como inexequível  financeiramente, não esclarece alguns pontos básicos e as conseqüências que deles advirão.
Vamos resumir de forma didática, para que principalmente, os professores dos níveis mais baixos na escala do plano decarreira, os pais dos alunos e os próprios alunos entendam as consequências a curto, médio e longo prazo.Do que se colhe da imprensa, deduzimos:

1. O governo quer pagar o piso salarial estipulado em lei. Palmas ao governo.

2. O governo, no entanto não leva em conta a proporcionalidade nos vencimentos e vantagens adquiridas por  aqueles que cursaram faculdade, fizeram pós-graduação, mestrado e até doutorado, ou seja, os melhores professores no quadro.

3. Deste posicionamento resulta um achatamento das remunerações próximas do piso salarial, ou com diferença quase insignificante, de um iniciante na carreira e com apenas o curso secundário, para um professor com doutorado ou mestrado, por exemplo.

4. O que justifica em parte, a continuidade da qualidade na educação, é o aperfeiçoamento do quadro do magistério devidamente apoiado em um "PLANO DE CARREIRA"  justo  e equilibrado.

5. Para que então , gastar dinheiro e tempo de vida a cursar uma faculdade e depois, pós-graduação,  mestrado e doutorado, se não existe nenhuma compensação em vista , nenhuma esperança de uma melhora razoável de vida pessoal  e familiar?

6. Os professores de menor graduação, fiquem atentos! 
Sem respeito a um plano de carreira, seu futuro na educação acaba aí mesmo, sem nenhuma perspectiva de melhora. Fazer faxina  4 horas por dia, sem estudar, preparar aulas, corrigir textos e provas, dá muito mais que isso, sem falar em ser vendedor autônomo, de roupas e cosméticos ( nada contra essas profissões tão dignas, mas que  não têm  nenhuma relação com a formação de jovens).

7.  Aos pais:
seus filhos serão condenados a estudarem em uma escola fraca e sem futuro. Talvez vocês derramem lágrimas emocionadas ao ver um deles receber o diploma, mas chorarão muito mais quando ele enfrentar as filas do desemprego, por incompetência.

8. Aos alunos:
o único caminho para o futuro da massa é a oportunidade de estudar em uma escola pública, de alta qualidade e gratuita, para todos os filhos do povo.  

9. Ao povo catarinense:
apoie a greve dos professores como justa e em defesa da educação e do estado. Não existe educação, se esta não for dirigida para a VERDADE, A JUSTIÇA e LIBERDADE. Como chegar a essa meta, na ignorância, sem ferramentas e material humano de alta qualidade?


10.  Ao Sr. Governador:  
Com todo o respeito e consideração devidos, peço-lhe,  escute um velho professor.  Não perca a oportunidade única de entrar para a verdadeira HISTÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, abraçando sem medo a causa da educação. Coroe seu mandato com a aprovação unânime desta geração e das futuras. Divida a HISTÓRIA  DA EDUCAÇÃO DE SANTA CATARINA , que o senhor recebeu, como  a ERA PRÉ-COLOMBIANA  e inaugure a era PÓS.
Como já se  disse na imprensa, para um bom serrano vale o dito: "O cavalo está encilhado e parou à sua porta". Com todo respeito, monte-o,  senhor Governador. Pode ser que ele não passe outra vez em sua vida.



quarta-feira, 1 de junho de 2011

LAGUNA - UMA CERIMÔNIA PITORESCA NA FESTA DE SANTO ANTÔNIO

 postagem texto e fotos por Márcio Rodrigues
Fotos 1 e 2  -  "A DESCIDA DE SANTOANTÔNIO"  do
altar mór









Na festa de Santo Antônio dos Anjos, celebrada há mais de três séculos em Laguna, no sul do Brasil, uma cerimônia singela, mas, com um forte componente místico e emocional, é a descida da imagem do padroeiro de seu nicho no altar mór da matriz, para assumir o lugar no andor em que ficará durante os treze dias que duram as celebrações. Durante a dificílima e delicada manobra de deslocar uma pesadíssima imagem barroca em madeira maciça e em tamanho natural, algumas peças como o resplendor de prata e o menino Jesus que ele traz ao colo, são separadas do conjunto.

É o momento em que o Menino recebe um delicado banho e sua roupa nova para a festa.
 Acompanhe nessas fotos feitas em 2005, algumas cenas muito interessantes e pitorescas.

Este é um momento raro de se ver o Menino Jesus "peladinho " e pronto para receber a roupa nova confecionada por Mércia Bárbara Rodrigues Barzan.
 
O Menino vestido com a "roupa nova", em delicada  Renda de Crivo em linho branco.

De volta ao colo do amigo.

Ainda com a "roupa velha", numa pausa para brincar com outro menino.


De roupa nova com Mércia Rodrigues Barzan, e pronto para a festa.

VENHA PARA LAGUNA
A FESTA COMEÇOU


segunda-feira, 30 de maio de 2011

UM ENCONTRO NA FONTE DO CARI-IÓC

LENDAS DA FONTE DA CARIOCA

por Márcio José Rodrigues

O horroroso grito de dor não abafou o som cavo, oco, da cabeça estourando. O corpo caiu ao solo, e já, num instante, imóvel.  
O primeiro combate real e o primeiro ser humano de quem tirava a vida.
O feito heróico foi celebrado na taba e cantado nos serões ao pé do fogo. Mais ágil que o tapuia, o jovem carijó brandira no ar a pesada clava, atingindo-lhe em cheio o crânio.
Passavam-se, porém,  as luas e o espectro horrível do morto tornava suas vigílias insuportáveis, sem que abandonasse seus sonhos e deixasse de torturá-lo nos pesadelos das noites sem fim. Se fechasse os olhos, via à sua frente, naquele rosto pintado de urucum, a expressão de ódio e medo; se os abrisse, o vulto esgueirava-se furtivo pelas sombras. Muitas vezes, deixara o conforto da rede para persegui-lo, em vão, na noite fria.
            O encontro com o tapuia foi uma experiência brutal. Como num salto, rompeu definitivamente as amarras com os últimos traços de meninice que porventura ainda existissem nele. Já não mais sentiria a antiga alegria nos jogos com os amigos, as ruidosas correrias e os banhos na lagoa. Embrenhava-se na mata por dias a fio em caçadas solitárias ou em longas caminhadas pela planície arenosa à beira-mar.

Após uma dessas demoradas ausências, ao retornar à aldeia, tomou uma velha trilha na mata costeira. Sedento, dirigiu-se à fonte do "cari-yóc"  na hora mais quente do dia, o sol quase a pino no céu.
A água cristalina brotava borbulhante do chão. À frente de um barranco, formava um poço circundado por velhas pedras cobertas de limo e transbordando em um córrego de pouca largura que corria na direção da laguna.
O lugar situado no encontro de duas colinas na orla da mata, estava guarnecido em ambos os lados por frondosas árvores a ostentar em sua grossa galharia, exóticas bromélias e musgos pendentes, como se fossem longas cabeleiras. Elas delimitavam um amplo espaço ensombreado, enfeitado em toda a extensão pelas mais belas orquídeas, lilases e azuis, outras amarelas e em cachos, debruçadas dos ramos.
Era como uma grande caverna de ramos e folhas, fresca e agradável, o chão revestido por uma larga esteira de um verde-castanho  de musgo macio e folhas secas.
Depois do entardecer, nem o mais ousado dos guerreiros aproximava-se daquele lugar.
Na noite escura, por lá se reuniam os espíritos maldosos da floresta, o Kurupi e os animais da noite, quando o traiçoeiro jaguar bebia a água e o sangue de suas presas.
Mas, era nas horas claras do dia, o ponto de encontro das alegres cunhãs a buscar água pura os afazeres de suas ocas e da algazarra dos curumins a exercitarem a pontaria de seus arcos no passaredo e nos bandos ruidosos de aracuãs.

Bem a frente desse lugar paradisíaco plantava-se a grande aldeia dos  carijós que povoavam a terra de Embiaçá.

A figura vultosa do caçador, assomando repentina, produziu assombro e susto nas mulheres, iniciando de pronto enorme confusão e alarido que se transformaram em alegre manifestação de festa e risos, tão logo o reconheceram.
Ele, fingindo altiva indiferença, aproximou-se, inclinando-se para apanhar a água com a concha das mãos. Tão sedento estava, não percebeu do outro lado da pequena fonte, uma jovem ajoelhada, que se dispunha a encher a igaçaba.
O fundo de limo negro transformara a superfície em um espelho a refletir os pequenos retalhos azuis de céu por entre as brechas da ramaria.
Então ele viu, a dançar no espelho, aquele rosto de mulher a espreitá-lo do fundo, quase irreal, como se fosse um espírito das águas.
Reteve o movimento da mão para não quebrar a imagem. Cerrou os olhos por uns momentos, como a querer certificar-se de que não era apenas um feitiço da fonte.
Quando os reabriu, o rosto ainda estava lá.
Levantou devagar a cabeça, desvendando aos poucos a figura à sua frente. Os joelhos, as coxas, os seios e finalmente a face da bela mulher a estender-lhe um pote de argila.
- Tupã, como é linda! - foi o único pensamento que lhe acorreu. Muito mais que a lua no alto do céu, que o sol a nascer no horizonte da grande praia do Gi...
Mais ainda do que poderia ser a própria Iara.
- Iboti, ela adiantou, é meu nome. É a palavra  que recebi dos sonhos de meus pais ao
 nascer.
- Por que me deste água fresca da fonte para saciar minha sede? Agora estarei para sempre ligado a ti e ao teu destino.  Tu me conheces?
- Tu és Tanh'aranha, o mais valente guerreiro de toda a nação carijó. És tu que estás presente nos sonhos que Nhanderu-ête me manda todas as noites.
- Tu és Iboti, a flor!
Tanh'aranha tomou-a por esposa e no aconchego de seu corpo quente e nu, nunca mais o espectro do tapuia perturbou suas noites de sono.



Caraí -yóc, Carió  = pele clara, carijó, indio guarani habitante da costa sul do Brasil, inclusive, Laguna
curumin= menino
Carioca = fonte do Carijó? (observação do autor))
cunhã  = moça
Igaçaba = pote de argila de várias utilidades
jaguar = onça
Kurupi, curupi = espírito mau
Embiaçá, M'biaçá = Laguna
Nhanderu-ete = Deus, divindade suprema dos guaranis
Tanh'aranha = último cacique dos carijós de Laguna. Teria se lançado ao mar, para não se submeter à  escravidão nas fazendas de São Paulo.
Tapuia = índio do grupo gê, mais arredio e selvagem que o carijó.
Tupã = Divindade tupi-guarani.
Yara, Iara = espírito das águas em forma de uma mulher belíssima.



terça-feira, 24 de maio de 2011

OS SINOS DA MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO

 por Márcio José Rodrigues
No ano de 2000, a tricentenária e veneranda Igreja Matriz silenciou seus sinos pelos próximos 3 anos, para restauração do templo, as cerimônias eram realizadas no grande salão do Centro Cultural. Quando eles voltaram a soar em 2003, à tardinha e de surpresa, durante a celebração da Santa Misssa, uma forte emoção tomou conta de todos, silenciosa, feita de sorrisos em rostos iluminados.
Igreka Matriz de Santo Antônio dos Anjos da Laguna vista da praça
Vidal Ramos ao entardecer.

                   

Os sinos da velha igreja,
A manhã iluminada,
A rua onde eu morava,
Acordando ensolarada.

Passos leves pela casa.
                   Minha mãe, pé ante pé.                   
Pouco depois, da cozinha,
O aroma do café.

Um arco-íris travesso,
                      Filtrando na gelosia,                        
Um vento de mar soprando.
Um cheiro de maresia.

A vida recomeçando,
O ruído na calçada,
Da gente, sob a janela,
Passando pouco apressada.

Os sinos da "Santo Antônio",
Lembrando a doce fortuna,
De se despertar de um sonho,
E amanhecer na Laguna.
                                       
Márcio José Rodrigues

        

segunda-feira, 23 de maio de 2011

FESTA DE SANTO ANTÔNIO A VISTA!

Edição especial para os festejos de 2011.

PARÓQUIA, IRMANDADE E FESTEIROS ESMERAM-SE EM PRODUZIR UMA FESTA INESQUECÍVEL.

VENHA PARA LAGUNA DESFRUTAR DE BELEZA, HISTÓRIA, TRADIÇÃO E FÉ.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

COMO GASTAR VINTE MIL RÉIS


por Márcio José Rodrigues - crônica.

Sábado, logo depois do almoço, uma tarde quente de verão, nenhuma folha se movia no pé de anonas.
A barriga cheia, o calor, a quietude, provocavam uma modorra dolorida, mesmo num garotinho de nove anos, que procurava alguma coisa interessante para fazer. Na casa ao lado os adultos dormiam a sesta.

Entreabriu a porta da fabriqueta de colchões de palha do avô Antônio Lino. Pelos cantos, empilhados, fardos de palha de butiá e peças listradas de panos vistosos, muito coloridos. Aquele lugar, naquela hora, parecia um tanto misterioso e assustador e exalava uma estranha mistura de cheiros de bolor, umidade e goma de fazenda nova.
A luz forte do começo da tarde, filtrava pelas juntas das telhas e deixava uma penumbra suave no pequeno galpão, mas os raios do sol desenhavam seus caminhos luminosos no espaço impregnado de poeira e de fibras leves de algodão que destacavam de branco, as teias de aranha no madeirame do telhado.

Diante da mesa grande - uma que tinha uma roda de ferro com uma manivela - bem no facho de luz que a porta projetava no assoalho de tábuas largas, estava silenciosa, assustadora, deslumbrante, a pelega de vinte mil réis.
A pelega era enorme.
Quem a teria perdido ali?
Não demoraria muito, por certo, a casa estaria toda em polvorosa à procura dela.
Melhor chamar a vó e entregar.
Mas, quem acreditaria que a nota tinha sido achada naquele lugar, assim tão à mostra?
Os adultos não eram fáceis.
Haveria mil e uma perguntas, desconfianças.
A história teria de ser contadas muitas vezes, principalmente para a desconfiadíssima tia Zilda.
A cena do “crime” seria revisada, haveria ameaças.
Sabe o que mais?
Deixar tudo no devido lugar e fazer de conta que não tinha visto nada.
- Vinte mil réis!
Um pirulito de galinho na venda de seu Samuel custava um tostão. Cada mil réis tinha dez tostões. Dava de comprar um galinho por dia, durante duzentos dias.
Sacos e sacos de pipoca.
E se a pelega tivesse sido perdida por algum comprador, na hora de pagar?
Se fosse do avô, ele sentiria falta.
Mas, se fosse de um comprador, ninguém sentiria.
A matinê de Domingo, no cinema, custava “quinhento réis”.
Um gibi, também.
Nenhuma tia parecia acordada.
E se alguém viesse procurar?
Um picolé de coco na Miscelânea custava “quinhento réis”...
Tentação, medo, ambição, angústia, vinham e voltavam, intermitentes como se tudo estivesse latejando.
Que vontade de pegar aquela pelega e sair comprando tudo.
Que medo de ser descoberto.
Pânico.
Mas, o diabo devia estar rondando por ali.
Não veio pessoalmente, mas mandou um secretário, porque, de repente...
A sombra na porta!
Puta susto desgraçado!

Primo Nivaldo estava por ali negaceando, sorrateiro.
- De quem é esse dinheiro?
Pouco depois estavam os dois na “A Miscelânea”, um na porta de guarda, outro no balcão comprando sorvetes.
- Duplos!
- Duas bolas – de creme e ameixa.
- Duas gasosas! - gasosa Grünner, uma de framboesa e outra de abacaxi, com canudinhos.
O troco da compra era tanto dinheiro que começou a crescer no bolso.
- Quanto ainda tem ?
- Dezoito!
- E agora?
- Quero mais sorvete!
Quase ninguém na rua.
As poucas pessoas estavam mais em volta do Café Tupy, da Miscelânea e da Sorveteria Polar.
- Não quero mais sorvete!
- Quanto tem de troco?
- Dezessete! – uma porção de notas de dois mil réis e uma montanha de moedas, que pesavam e tilintavam no bolso. À medida que o apetite sumia, um aperto subia desde o estômago até a garganta. E o maldito dinheiro, aumentava cada vez mais. Como voltar com aquilo tudo para casa?
- A gente tem que gastar o dinheiro!
- Vamos comprar picolé!
- Do quê?
- O meu é de côco!
- E agora?
- Vamos comprar gibi na livraria do Juca!
- Almanaque d’O Tico-tico! – Réco-réco, Bolão e Azeitona, cantarolavam.
-  Pato Donald!
- É sábado! – está fechada!
- Não agüento mais! Vou jogar fora o picolé!

Meia hora mais tarde, sentados na beira do cais, o crime produzia as suas conseqüências.
O dinheiro do troco, parecia cada vez maior.
Tinham errado o pulo e não imaginavam que fosse assim tão difícil, gastar vinte mil réis.
O medo aumentando, oprimindo o coração.
Parecia aquele filme de bandido, em que o sujeito não conseguia esconder o cadáver.
- Tô com vontade de vomitar!
Nem conseguiram acabar de comer as barras de chocolate.

Pode parecer impossível - com a educação permissiva e tolerante dos dias de hoje, que algum menino se preocupasse com uma situação dessas.
Chegaria tranquilamente em casa e se por acaso, - e se, por acaso, alguém perguntasse, diria simplesmente :
- Achei!
E caso encerrado. As pessoas já não querem  incomodar-s e preferem às vezes, não saber o que os filhos fazem.
Mas, não era assim. Tudo era minucioso. Tin-tim por tin-tim. Não se deixava passar nada. Uma peneira fina.
Questões de objetos e dinheiro eram investigadas a fundo. As moedas queimavam no bolso como as de Judas.
- Quanto tem de troco?
- Acho que tem uns quatorze, perdi a cvonta!
- Vou falar prá vó! – disse primo Nivaldo, já querendo abrir um bocão e sabendo que vó Estelita iria protegê-lo.
- Tu tá louco!
- Não fui eu que peguei o dinheiro ! Eu só vim convidado!
- Eu digo que foi tu que achou! Aí eles vão te mandar para a casa da tua outra vó, a Lilica!
- Eu tô com medo!
- Vamos fazer assim : - a gente fica quieto e esconde o dinheiro. Depois a gente gasta de novo!

O muro de pedras ao lado da casa tinha frestas enormes entre os blocos, onde as crianças costumavam escavar com gravetos a argamassa velha de barro, à procura de ovinhos de lagartixa.
Numa dessas frinchas as moedas e as notas de papel enroladinhas, foram cuidadosamente escondidas.
Parece que tinha mesmo razão. A pelega devia ser de gente estranha, algum freguês de fora, porque em casa, nunca se tocou no assunto.
O medo de ser descoberto durou vários dias.
O coração disparava cada vez que alguém chamava.
Como se fossem soar as trombetas e despencar o Juízo Final.
Mas, nem mesmo a espertíssima irmã desconfiou de nada.
Primo Nivaldo, passou o fim de semana e a seguinte, na casa da outra avó, a Lilica.
Dias mais tarde, numa dessas horas quietas, foram, com muita cautela, verificar o esconderijo.
- Ué , o dinheiro desapareceu!
O desaparecimento do maldito troco, produziu-lhe uma intensa alegria. Sentiu um alívio enorme, como se tivesse livrado de um fardo, uma carga, que andava carregando há vários dias, que lhe dava pesadelos e sobressaltos.
Algum tempo depois, a paz voltou a reinar no mundo, onde já dava para viver sem medo e dispor até de um certo espaço para lembrar o incidente.
Mas, ficara para traz um mistério, que talvez, jamais pudesse ser resolvido.
O sumiço do dinheiro, de um lugar que só primo Nivaldo Sabia.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cielito Lindo Banamex


Rrecebi este link através do amigo Juarez Medeiros.
Não poderia privar os visitantes deste blog de uns
momentos de alegria e felicidade.
É impressionante como a harmonia entre os povos ainda
pode ser sonhada nesta demonstração de gente de tantos lugares e de culturas e raças diferentes.

terça-feira, 17 de maio de 2011

ENTRE A LEI E O CALOTE


PROFESSORA MARIA DA GRAÇA DUARTE RODRIGUES - FORMATURA
por Márcio José Rodrigues





































Sou filho de DONA QUENA,  uma professorinha  que lecionava em uma escola reunida no interior.
Viúva ainda jovem, eu ela e minha irmã, éramos felizes e aprendemos desde cedo o que era economia forçada para sobreviver com o salário de uma professora.  Pequena horta, algumas galinhas, ovos, uma cabra que dava leite, pequenos peixes do riacho que corria pelos fundos  da humilde casa de madeira. O que nos ajudava a  manutenção, era a honestidade que sempre manteve o crédito na venda para alguns gêneros de primeira necessidade.
 Minha mãe também era uma enfermeira prática, a única da região e nas horas livres, corria a pé os caminhos de carros de boi do Gravatal, para aplicar injeções ou fazer curativos em feridos, ministrar remédios. O pagamento vinha com um bem-vindo "Deus lhe pague" ou  pencas de banana, açúcar mascavo, farinha de mandioca, pão caseiro, frutas de época. Aprendi a gostar de farinha de mandioca, pirão com peixe frito, sopa de açorda com um ovo.
A escola foi para nós, a nossa vida.
Estudamos, os três e formamo-nos, sempre com recursos minguados. Tornamo-nos todos professores.
Minha mãe galgou outros cargos chegou ao posto de "Inspetor Escolar", sempre por concurso público e daí para Coordenadora de Educação.
Fiz curso superior, pós-graduação em Metodologia do Ensino. Lecionava em três turnos por dia, com 400 alunos. Estudava como um louco e cheguei a ser hospitalizado por esgotamento.  Casei-me com uma linda professora (foto) e nossos salários juntos, não nos conseguiam   manter com uma vida digna da nossa cultura e saber.
Conheci ao longo de  mais de trinta anos de magistério, colegas com problemas maiores que os meus, magros, mal vestidos, doentes, com jeito de fome na hora do recreio, ansiando por uma sobra da merenda escolar.  Nunca conseguimos qualquer reconhecimento, não fossem as greves deflagradas.  
E sempre perdemos.  Os pais dos alunos, paradoxalmente, nunca nos apoiaram.  Para eles éramos babás de graça pagos pelo governo e aliviávamos a carga de cuidar dos filhos por quatro horas por dia. Para eles deveria haver aulas aos sábados e domingos e sem férias, de preferência.
Ao longo desses anos só vi a educação degradar-se, cair a níveis inaceitáveis para a moral e os bons costumes. A impunidade ensinada pelo exemplo dos políticos sustentados abaixo de golpes baixos, garante a bagunça sem restrições.

Os direitos humanos não conhecem os professores.  Eles enfrentam o corredor da sala de aula como um condenado enfrenta o corredor da morte de Sing-Sing, com medo dos alunos, crises de pânico, stress. Não são poucos os que se encontram licenciados para tratamentos psico-somáticos.  Com direito apenas  às esperas do SUS, pois não podem pagar um plano de saúde completo.

Todos ganham muito pouco, não podem assinar revistas nem comprar livros. A maioria ganha menos que uma empregada doméstica e não raro, trocam para essa profissão.
Computador, internet, que deveriam ser  ferramentas obrigatórias a um profissional da pedagogia, a um professor, só virão por milagre, depois da comida, do aluguel, da conta da Celesc, da Casan, do gás, do material escolar dos filhos, dos remédios, das passagens de ônibus.
A Educação, a escola pública, a infância e a juventude que deveriam ser a menina dos olho do governo,  passam a ser propriedade dos traficantes de drogas, que já tomaram seus espaços nos templos da educação.
O Piso  Salarial do Magistério, é lei sacramentada pelo Supremo Tribunal Federal.
Mas, o governo de estado de Santa Catarina, quer ministrar a aula magna do calote, pretendendo desmantelar  a verdade e a lei para assaltar os mais  miseráveis da folha de pagamento do  estado.
Quem sabe, senhores governantes, um dia, os senhores não precisem ser atendidos por um advogado ou médico formado na escola que vocês querem abandonar!

SENHORES PAIS.
SEUS FILHOS TÊM DIREITO A UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E GRATUITA.
APOIEM, UMA VEZ NA VIDA, OS PROFESSORES E LEVANTEM BANDEIRAS A FAVOR DOS ANJOS DA GUARDA DOS ALUNOS.
FIQUEM A FAVOR DA EDUCAÇÃO!

Márcio José Rodrigues é professor de Biologia aposentado após 32 anos de magistério.