quarta-feira, 22 de junho de 2011

O SEGREDO DO BOTO

conto por Mário José Rodrigues


BORRACHINHA - um dos botos mais queridos  dos pescadores

Uma canoa desgarrada descia  a maré vazante em direção ao mar.
Sem um remador que a conduzisse, deslizava suave ao sabor da correnteza.
Levava bem acomodada no fundo, uma criança recém nascida, cuidadosamente enrolada em panos de algodão e pelúcia. O ruído das ondas agitadas pelo vento norte não deixariam que alguém pudesse ouvir o choro desesperado.

Não muito longe, no casebre do pescador Foguinho, a lamparina de querosene ainda não apagara a chama, mal iluminando a pequena peça da cozinha e projetando sombras contra as paredes toscas de tábuas. A corrente de ar filtrada pelas frestas fazia a chama dançar, mudando a tonalidade das imagens mal definidas dos rostos de um casal silencioso e taciturno, que teimava em permanecer fora da cama a horas tardias.
O silêncio desses dos dois personagens escondia  um segredo terrível.

Na noite anterior a cena nesse mesmo local, tinha sido muito diferente e conturbada.
A mulher acabara de dar à luz, um menino.
O  recém-nascido tinha  cabelos negros como o alcatrão, os grandes olhos escuros, a pele morena.
Tudo estaria perfeito, não fossem certos detalhes.

Ora, o apelido que o homem carregava no lugar do nome de batismo, havia recebido pela cor de seus cabelos de fogo, a pele avermelhada salpicada de sardas. A mulher possuía os cabelos ainda mais ruivos.  Os filhos, dois pirralhos espertos, tinham bem saído aos pais, com os mesmos cabelos de ferrugem, as mesmas sardas e os olhos mais azuis que o céu do mês de maio.
Não tivesse o próprio pai assistido o parto, cortado ele mesmo o cordão do umbigo a bem medidos cinco dedos de espaço e o amarrado com linha de pesca, diria  que o menino teria sido trocado, como coisa de  um sortilégio ou feitiço

- Este menino não parece meu filho!... balbuciou sem jeito.

A mãe nada contestou. Instintivamente, num gesto tão inesperado quanto estranho,  estreitou a criança contra o peito, encolhendo-se sobre ela, como a protegê-la de uma já prevista agressão.
O homem implorou por uma explicação.
A mulher encolheu-se ainda mais.
O silêncio constrangedor só fez  envenená-lo em suas dúvidas.
A cabeça latejava. O coração ferido ante a expectativa de uma traição, batia desencontrado. Sentimentos de raiva cambiavam com os de tristeza e decepção, enquanto ondas de ciúme e decepção alimentavam uma angústia opressora.
Da mulher não arrancou nenhuma confissão , mesmo diante da  faca ainda suja com o sangue do trabalho de parto. A mente do pescador triturava os pensamentos, torturando-o com  suspeitas que nenhum homem poderia suportar. Depois ainda viria  a humilhação perante os vizinhos e companheiros, o riso disfarçado e a pilhéria no balcão da venda.

Ante o desvairio do homem e uma sombria ameaça contra as crianças, a mulher cedeu.
Mesmo inconsolável, aceitou levar a cabo um plano macabro.

No dia seguinte, entre rezas e lamúrias das velhas carpideiras, uma caixinha com areia foi conduzida ao cemitério da aldeia, simulando o enterro de um natimorto, as crianças levando raminhos de flores do campo.  
Passaram-se estações, sucederam-se  as temporadas  e a  faina sem fim das lidas da pesca, mas as noites do casal seriam sempre povoadas de pesadelos.
O remorso é uma dor que só se cura quando a pessoa perdoa a si mesma.
Nos piores momentos,  muitas lágrimas para a mulher.
Para o homem, a cachaça.

Alguns anos depois, quando os meninos já eram quase homens feitos, apareceu no pesqueiro,  um jovem moreno e forte.
Não possuía canoa nem pertences e ninguém se lembrava já tê-lo visto em um lugar qualquer.
Pescava com habilidade notável e onde andava por aquela barra de rio, sempre havia um grupo de botos por perto. Coisas  estranhas que rondavam o jovem pescador levavam a crer que os botos o conheciam e  que  parecia dirigir-se a eles por meio de sons ininteligíveis.
Por onde pescava sempre havia botos -  e tainhas em abundância.
Solitário,  só não se esquivava da aproximação dos filhos de Foguinho, que sempre saíam de balaio cheio, enquanto as tarrafas dos outros  voltavam vazias.
Ninguém sabia onde dormia ou onde morava. Desaparecia com o anoitecer e se antecipava a todos ao nascer do sol.
A única casa de que se permitia aproximar  era a desse pescador.
A mulher costumava observá-lo sem o entender, mas com um sentimento de inexplicáveis  ternura e compaixão.  Ela já havia  percebido em seus olhos, um  triste ar de abandono e súplica quando  a envolviam  com inocência e lhe  faziam aflorar sentimentos de mal disfarçada ternura.
Não foi uma vez só, que a quase certeza materna, parecia dizer-lhe que  conhecia aquele moço.


Lá fora povo dizia:
-  Ele é filho do boto!
E daí, a figura foi se envolvendo  cada vez mais em brumas de mistério, até que virasse uma espécie de lenda viva, enriquecida aqui e ali com recortes de imaginação nas rodas de cachaça.
As moças do local espalhavam histórias de um olhar poderoso e irresistível que as deixava enfeitiçadas. Não tardaram a identificá-lo  como um mau espírito ou demônio desses povoados açorianos, e  logo passou a representar o perigo, o mal personificado saído das artimanhas de alguma bruxa.

E assim, foi:
Um grupo de homens, na calada de uma noite escura, atacou-o de surpresa.
Os demais moradores da aldeia estranharam o súbito desaparecimento, mas acabaram aceitando que ele tivesse ido embora tão misteriosamente quanto havia aparecido um dia.
Só a mulher de Foguinho saia  a procurá-lo, mas em suas buscas só encontrou dor de saudade, um sentimento amargo de culpa, que não passaria nunca.  
Aquele macabro segredo morreu com aquela gente,
O tempo  leva todas as coisas.
Todos eles se foram também.

Só os botos ficaram.
Desde aqueles tempos, nunca mais abandonaram esses lugares e ainda hoje cercam as tainhas para os pescadores de tarrafa do pontal da barra.

Parte da seqência do salto de BORRACHINHA

 Ronaldo Amboni é um fotógrfo Lagunense que se tem destacado com fotos espetaculares. Além da fina sensibilidade, tem uma especial dedicação à sua arte, que vai com certeza encantar a todos que tiverem oportunidade de apreciá-la.
Agradeço a deferência pela cessão das belas imagens para ilustrar este conto,

Os botos de Laguna SC, Brasil, mantêm uma estranha e maravilhosa parceria com os pescadores de tainhas. Todos têm nome próprio e são reconhecidos por suas características peculiares, As mães ensinam os filhotes a arte de lidar com os pescadores.

sábado, 18 de junho de 2011

HAICAIS DE INVERNO

Cipó-de-São João - Valinhos, SP - foto Clarisse Villac


Haicais de Inverno 2011
por Clarisse Villac


manhãzinha branca

densa neblina na serra -

as matas respiram...



barranco enfeitado

festa para beija-flores -

cipó-de-são-joão !
    


cores na cidade

em meio à poluição -

Viva! azaleias!




papeis coloridos

risos, barbante, tesouras

Pronto! bandeirinhas!




Escritora e poeta

Hai

UMA TROCA VANTAJOSA


Marco Antônio e Beatriz



Esses dois aí, Beatriz  de 9 anos e seu pai Marco Antônio Duarte Rodrigues , trocaram a Disneylândia por uma viagem a Paris. Hoje Beatriz conheceu o Museu do Louvre onde se emocionou ao ver  a " Mona Lisa" de Leonardo da Vinci.
- Ela é linda! - foi a sua expressão.
Passeios escolhidos, hoje conheceram o Arco do Triunfo e dali iriam para a Torre Eiffel, mas a viagem está apenas começando.
Marco Antônio é advogado em Florianópolis e nosso filho mais velho. Acho que seguiu a escolha acertada, em além de conviver uma aventura inesquecível com a filha, proporciona-lhe uma experiência de cultura, lazer e maior estreitamento de laços afetivos.
Sempre recomendo aos meus filhos. com relação aos filhos deles:
É mais importante estar presente, do que dar presentes!

Isto eu recomendo a todos, mesmo os que não podem fazer uma viagem dessas, pois essses encontros podem acontecer num fundo de quintal, na paraça da cidade,comendo pipocas num domingo de sol.
O mais importante é estarem juntos e por eles agradeço a Deus. 
 
Postagem márcio José Rodrigues


sexta-feira, 17 de junho de 2011

UM ANO SEM SARAMAGO


JOSÉ SARAMAGO - imagem Google

Neste 18 de junho completa-se um ano do falecimento do monumental JOSÉ SARAMAGO, escritor português e Prêmio Nobel de Literatura - 1988.

De origem humilde e filho de agricultores, chegou a trabalhar como operário, mas com um intenso amor pelos livros. Nessa condição freuqentava assiduamente as bibliotecas.
Para animar nossos amigos poetas e escritores, ele também experimentou a rejeição dos editores e teve também seus infortùnios de não conseguir publicar algumas de suas obras, antes de ganhar renome no mundo editorial.

Em literatura, frequentou praticamente todos os gêneros, desde o jornalismo, a crônica, a poesia, o teatro, o conto e até o conto infantil, mas foi o gênero Romance,  que realmente o consagrou.
Saramago era ateu confesso, socialista e membro do Partido Comunista em Portugal.
Foi um crítico severo contra a Igreja Católica. Embora não comungando com a linha filosófica de seu pensamento, não podemos negar-lhe a genialidade e o mérito de projetar definitivamente a literetura lusitana.
Entre suas inumeráveis obras, listamos algumas das mais importantes:

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO
A JANGADA DE PEDRA
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
A CAVERNA
AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE.
 "Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais." - José Saramago

postagem e texto Márcio José Rodrigues

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ARCHIMEDES DE CASTRO FARIA

um poeta denuncia a indiferença do poder

"Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos de seu gado; os que cantam ao som das harpas ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais; os que bebem vinho em taças e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José."
Profeta Amós.


:
Foto - Cirilo de Castro Faria
Veja nos versos abaixo como a denúncia de Amós,  transmuda-se , na linguagem de um mestre da poesia e ganha força, graça, impacto e atualidade.



"A cada instante, pois, em todo mundo
Há alegres e tristes criaturas,
Que de tristes e alegres ocorrências
Vive o mundo em suas estruturas.

Os tipos de poder mais absurdos,
Honrarias e luxos requintados
-Eis um lado da vida, enquanto outro
Abriga milhões de desgraçados"



Da obra póstuma de Archimedes de Castro Faria, " NA TERRA DOS HOMENS", Design Editora, 2010.

O poeta Nasceu em Campos, RJ em 1910. Viveu em Laguna, meio século, de 1947 até 1997, ano de sua morte.
Autoditada, com apenas o curso primário, dominava a língua portuguesa e a gramática como um mestre, além de um vasto conhecimento sopbre poesia. Não conseguia esconder uma predileção entusiasmada pelo "Poeta dos Escravos" Antônio de Castro Alves.

 postagem e notas Márcio José Rodrigues.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

HOMILIA, EMOÇÃO, BELEZA E FÉ, MARCAM O ENCERRAMENTO DA MAIS BELA FESTA RELIGIOSA DO SUL DO BRASIL, EM LAGUNA


Pe, Itamar Faisca Nunes ao lado de João Jerônimo de Medeiros

SANTO ANTONIO
NOSSO INTERCESSOR
13º DIA DA TREZENA – 2011.


João Jerônimo de Medeiros – orador sacro.


Senhoras e Senhores, Boa Noite!

Inicialmente quero saudar o Pároco desta Igreja, Reverendíssimo Sr. Padre Pedro Damásio, e seu colega o Vigário Paroquial Sr. Pe. Nilo Meurer Schlickman., Pe. Itamar Faisca Nunes [...]

[...] Nesta memorável noite de Santo Antônio, Santo Antônio dos Anjos, porque da Laguna, quis o Senhor dar-me a grata satisfação, de aqui estar no encerramento da tradicional trezena dessa grande festa, para  lembrar-me e vocês confirmarem, que o vosso Padroeiro, Santo Antônio dos Anjos, é nosso grande intercessor junto a Deus.
Mas vale a pergunta:
O que realmente é ser intercessor?
Ou melhor dizendo: o que faz um intercessor?

Daminhas, pajens e gurada de honra junto ao andor de Santo Antônio

Intercessor é aquele que, se colocando no lugar do outro, pleitei a causa dele, como se fora a sua própria causa.

O Evangelista São Lucas, nos revela um exemplo divino de intercessão. [...} o maior exemplo: Aquele que nos foi dado pelo próprio Jesus Cristo crucificado, quando, do alto do Madeiro da Cruz, já nos estertores da sua morte, intercede por aqueles que o estavam matando, dizendo “ - Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem!”     Naquele momento Jesus intercedia ao Pai que perdoasse a todos nós, pois ele ali estava resgatando toda a humanidade pecadora, de todos os tempos, inclusive nós, pecadores, que nesta noite estamos neste sagrado templo, dedicado a Santo Antônio dos Anjos.

Antes, porém, ainda no Antigo Testamento, o livro do Êxodo nos é revela que depois do pecado de Israel, que se desviou de verdadeiro Deus para adorar o bezerro de ouro, esse Deus Misericordioso ouve a intercessão de Moisés e aceita caminhar no meio de um povo mesmo infiel, manifestando, assim o seu amor.

Outro exemplo de intercessão é relatado no Evangelho de São João, e ocorreu lá na Galileia, nas bodas de Caná. Todos conhecemos que no meio da festa, a Mãe de Jesus percebeu que o vinho estava por acabar. Sabia ela que o vinho era a alma da festa e que sua falta seria objeto de vexame para os noivos. Então, ela se achega a Jesus e intercede dizendo: “Eles não tem mais vinho!” Sabemos a resposta de Jesus: Mulher, a minha ora, ainda não chegou! Mas, aquela Senhora conhecia bem o coração de seu Filho. Virando-se para os que serviam, lhes disse: “Façam o que Ele mandar”. E Jesus mandou que enchessem os seis potes com água, transformando-a no melhor vinho da festa. (Jo2, 1-11) Foi este o primeiro milagre de Jesus e talvez ali tenha ocorrido a primeira intercessão de Nossa Senhora, na conhecida história de sua vida. A única festa conhecida que teve a presença de Nossa Senhora e de Jesus. A festa do casamento, essa instituição divina entre um homem e uma mulher, pois assim, Deus os criou, como está no livro do Genesis. “Deus os criou homem e mulher” (Gn 1, 27).

O Catecismo da nossa Igreja Católica nos ensina que entre os diversos sacramentais, as bênçãos ocupam um destacado lugar. Ao mesmo tempo em que são louvor a Deus por suas obras e seus dons, as bênçãos são a intercessão da Igreja, a fim de que os homens possam fazer uso dos dons de Deus, segundo o espírito do Evangelho.

A intercessão também está contida na Bíblia, no grande mandamento de Deus: “ama o teu próximo com o ti mesmo”. Assim, toda a Igreja é chamada ao fascinante ministério da intercessão. Todos nós podemos e devemos ser intercessores de nossos irmãos em Cristo, incluindo aí, até os nossos inimigos e os próprios inimigos da Igreja. Enfim, todos os pecadores.

A intercessão dos santos e das santas está baseada na tradição da Igreja e na Sagrada Escritura. No caso dos santos e santas, interceder é posicionar-se entre Deus e os homens, pedindo a Ele em nosso favor.

As santas e os santos se colocam em nosso lugar, sentindo de tal maneira as nossas necessidades, que diante de Deus onde já estão, ficam em oração até alcançarem a vitória de nossa causa, isto e, diante Deus, eles e elas intercedem por nós.

O nosso papa e grande teólogo da atualidade, Bento XVI, há poucos dias, na catequese mensal que faz ao mundo inteiro, nos ensinou assim: “A oração de intercessão torna operativa a Misericórdia Divina, que encontra Sua voz na súplica daquele ou daquela que reza e Se torna presente através deles onde há necessidade de salvação”.

Santo Antônio, essa excelsa figura humana, divinizada por Deus em retribuição ao seu incondicional amor a Ele, foi um grande intercessor durante sua vida terrena, pautada na plenitude da fé, da esperança e do amor. Hoje, lá no céu, continua sendo nosso grande intercessor diante de Deus, haja vista a profusão de Milagres que, por sua intercessão, Deus Nosso Senhor concede aos seus devotos. Aos seus amigos da Laguna e aos seus amigos do mundo inteiro. É Santo Antônio intercessor, o grande Taumaturgo, aquele que consegue de Deus os milagres mais extraordinários.

Seria repetitivo enumerá-los aqui nesta noite, pois já são sobejamente conhecidos os clássicos milagres obtidos junto a Deus, por intercessão de Santo Antônio. Basta, porém, perguntar-nos nesta noite:

Quem, realmente devoto de Santo Antônio dos Anjos, nesta cidade que assim o venera e invoca, não é testemunho da sempre segura e certa intercessão do grande padroeiro junto a Deus, obtendo a graça, ou mesmo o milagre, fervorosamente solicitado? Claro que Santo Antônio, como nós também devemos fazer, condiciona sempre o seu pedido à vontade de o auxilio junto a Deus, Deus e da salvação da alma de quem o solicita.

Quantos registros foram por vós vivenciados, ou que vos foram transmitidos por vossos antepassados, povoam vossas mentes agradecidas? Foram graças e milagres alcançados por essa figura impar de vosso Taumaturgo e Padroeiro, cuja imagem é venerada nessa mais que tricentenária igreja da Laguna. A proteção de Santo Antônio dos Anjos, no dia a dia desta cidade e de seu povo, é tão profunda e real, que sua venerada imagem mais parece um real habitante de vossa comunidade em todos os tempos. Pois é dessa forma, que Santo Antônio dos Anjos foi contemporâneo do vossos antepassados: de vossos bisavós e avós, de vossos pais e vosso, e o será de vossos filhos, netos e bisnetos pela vida a fora, na história dessa histórica cidade.

A piedade popular, com o dom de sua fé, reza uma linda e conhecida oração de intercessão pedindo ao Grande Taumaturgo o seu auxilio junto a Deus. É o conhecidíssimo Responso de Santo Antônio, onde, um poeta anônimo, invocativamente, nos lembra que:

Se milagres desejais,
Recorrei a Santo Antônio.
[...]

Irmãos da Confraria do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, irmandade em ativisade ininterrupta desde 1753 em Laguna - Santa Catarina
postado por Márcio José Rodrigues

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CERIMÔNIA DE CASAMENTO, MARCA O DIA DOS NAMORADOS EM LAGUNA

Comemorando com cinco estrelas o Dia dos Namorados, a Igreja Matriz de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, celebrou 11 casamentos em uma mesma cerimônia repleta de beleza e emoção, neste domingo do dia 12 de junho de 2011, às onze horas da manhã.


O belo templo barroco, ornamentado com rosas vermelhas em magníficos arranjos, recebeu onze casais para a cerimônia do Sacramento do Matrimônio.

Os padrinhos foram os Festeiros de Santo Antônio.

Celebrante, o Pároco Pe. Pedro Damázio.

CATARINA NÃO PERDE A ESPERANÇA! VAI QUE NÓIS GANHA?

domingo, 12 de junho de 2011

DIA DOS NAMORADOS - UMA HOMENAGEM A TODOS QUE AINDA TENTAM CONQUISTAR O AMOR

por Márcio José Rodrigues (texto e fotos)

Dia dos namorados no Brasil, The Valentine's Day nos Estados Unidos e parte da Europa, celebra o encontro, a união e o amor.
Na verdade três são os São Valentim, e de épocas diferentes, mas a lenda que interessa a essa celebração, data do séc. IV da era cristã.e recai sobre um "certo" São Valentim. Este teria sido um bispo que casava os jovens, mesmo desobedecendo ordens do imperador romano e por isso foi martirizado num dia 14 de fevereiro. Mas, é bom salientar que esses fatos não têm comprovação histórica.
No Brasil o "Dia dos Namorados" iniciou em São Paulo por manobra de comerciantes, no intuito de aumentar a venda de presentes e a data ficou marcada em 12 de junho, véspera de Santo Antônio, padroeiro dos namorados na tradição católica.

Namorados são aqueles casais de jovens de qualquer idade, que se lançam à uma experiência de relacionamento, com pretensões a um projeto a longo prazo, um investimento de vida com olhares no futuro a dois.

Não tem nada de semelhante ao "ficar", que não passa de uma exploração mútua entre pessoas, da companhia passageira e da sexualidade, do curtir a balada para passar o tempo ou satisfazer um instinto carnal ou simplesmente varrer o tédio e a solidão. Nesse caso, o parceiro(a) não tem qualquer tipo de compromisso com o destino do outro e geralmente a mulher só leva desvantagem, ficando marcada dentro do grupo social a que pertence. Expõe-se a riscos, doenças, violência, e quando passa a ressaca, parte para outro caso.

Namorados têm um sentimento mais profundo de respeito mútuo, de preservação da pessoa do outro, numa parceria que envolve o bem querer, a conquista, o sonho, sem contudo excluir a paixão. Bem sucedido, traz grandes momentos de felicidade e é um bom caminho para chegar lá. Mas, o namoro não conduz necessariamente ao sucesso da relação, posto que seja uma experiência empírica de vida a dois, como um aprendizado em conhecer melhor o oposto, uma adaptação que pode dar certo ou não. Mas é sempre sincera e bem intencionada. Tradicionalmente, leva a ao noivado e ao casamento e até ultrapassa estes patamares e pode durar uma vida inteira sem depender de idade.
Esse "Dia dos Namorados" é o que estamos festejando.
Antônio de Pádua e Jadna, namorando durante a festa de Santo Antônio dos Anjosda Laguna, mesmo depois de avós.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

FÁBULA ATUALIZADA DOS TRES PORQUINHOS

por Márcio José Rodrigues

Para começar esta história, devo dizer que nunca entendi porque três porquinhos domésticos estavam morando em uma floresta cheia de armadilhas e um lobo mau que só desejava comê-los.


Como porquinhos domésticos, não se desgastavam em trabalhar,
já que  estavam acostumados a ser alimentados e para eles nem interessava de onde saia a comida farta e fácil.

O caçula chamava-se Cícero e passava os dias tocando flauta e dançando. Heitor, o do meio, um exímio violinista. O mais velho, não tinha nada de romântico . Como era mesmo nome? Ah! Começava com a letra pê.... Prático, isso!
 Prático era o nome do porquinho mais velho. Prático, prudente, previdente, prevenido, precavido, ao saber que um lobo mau andava rondando a floresta para comê-los, foi morar na casa mais forte, uma verdadeira fortaleza capaz de blindar qualquer morador que nela se alojasse.

Na história que gente aprendeu, Cícero, o flautista, construiu um casebre de gravetos e palha, Heitor o violinista, uma de madeira e Prático, uma forte casa de tijolos e argamassa de cimento.

Como todo mundo pensa que já sabe o enredo, espera que lobo mau destrua a casa de gravetos, depois a de madeira e esbarre por fim na fortaleza do porquinho sabido.

Pois foi a maior surpresa!

Lobo Mau começou o ataque exatamente pela fortaleza e comeu o porquinho mais sabido. Agora ficou bem mais fácil atacar a casinha de madeira e depois a de palha.

Tem algo novo muito estranho acontecendo na floresta.

Como, pôde Lobo Mau inverter o curso da fábula?

Dizem que foram uns fofoqueiros que escreveram coisas, espalham as notícias por toda a floresta e acabaram revelando um buraco secreto na parede.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

TINA SABE, TINA PULA!

 

Princesinha , com seus olhos grandes e escuros, cílios longos e encurvados, cresceu.
Comemora mais um aniversário ( pra mais de trinta) neste 9 de junho, data  que,  quando pequena, saia anunciando pela cidade e arrebanhando convidados de surpresa. 
Como dona Graça a vestia sempre com muito esmero, ela conservou até hoje este apuro pelo bem vestir, terror dos guarda roupas atulhados.
Gostava de fugir para as vizinhanças.
Um dia, uma cigana a viu no portão da casa, e fez uma proposta de comprá-la.
Não levamos a sério.
Tina despareceu!
 Foi um Deus nos acuda.
Delegado Péricles Faria, com muita prudência,  colocou a polícia de prontidão. A suspeita caia sobre as cabeças dos pobres ciganos, mas eles nem foram molestados. 
Ela havia simplesmente se infiltrado na casa da vizinha Dona Laura, se escondido atrás de um sofá, onde dormiu uma sesta despreocupada.

Sempre teve uma alegria muito grande em aprender algo novo.
Tinha uns três anos e havia finalmente aprendido a pular numa perna só. Escutei uns "tum-tum" no assoalho de madeira da sala. Ela era pulando como um saci, e dizendo para si mesma, super convencida:
- Tina Sabe! Tina Pula!
Isto não era coisa simples, como parece. Ela havia treinado muito até chegar ali.
Esta vontade de  aprender e conseguir lutando, sempre a impulsionou mais longe, para as metas que deseja, mas sem deixar o  romantismo que a caracteriza.
Desenvolveu um alto senso de questionamento social, uma sede de conhecer a verdade das coisas e por isso aplica-se a fundo nas atividades que exerce.

Cursou odontologia, fez curso de aperfeiçoamento em Cirurgia Bucal, Pós-graduação em Odontopediatria, Pós-graduação em Saúde Pública e agora é acadêmica de Direito.
Pessoalmente acho que é por causa da justiça e pelo atendimento de qualidade aos mais necessitados. Isso a deixa inquieta.

Ela é uma lutadora como um Che Guevara, " pero sin perder la ternura jamás”!
Consegue ser ao mesmo tempo, esposa, mãe dedicada, cozinheira, funcionária e estudante.
Coisas das grandes mulheres que conseguem enfrentar a vida nas cidades dos dias atuais.

Para nós, sobra amor, carinho, orgulho e a confissão de que às vezes, para nós ela ainda não cresceu. Tem horas que a gente confunde a doutora Ana Christina, com a princesinha.

EM NOME DA AMIZADE VERDADEIRA

por márcio José Rodrigues
Foto Jorge Sidney Abrahão


Três personagens muito queridos.
Carlinhos Rollin, de amarelo, Batista Abrahão ao centro, e João Alfredo Dias ou John Alfred Days, o Babá, com a cerveja.
Embora quase 30 anos mais jovens que Batista, esses dois eram seus amigos inseparáveis e o visitavam todos os dias. Comunmente eram vistos passeando a passos lentos com ele pelas ruas, para um banho de sol.
O que conversavam? Porque riam? Futebol, criticando o Botafogo e zoando o Fluminense... fofocas, velhos tempos, os buracos das calçadas e quem sabe um malho na prefeitura.
Carlinhos também o levava para tomar cerveja no Bar do Arantes.
Muitas vezes, eu vi!
Falamos tanto em amizade em poemas e crônicas.
Eis aí a foto dela.


 Babá faz aniversário neste dia 9 de junho.
Com o maior abraço e votos de felicidades, convido os leitores a enviarem comentários através deste blog.

A PANDORGA NO CÉU

Texto e imagem - Ma de Fátima Barreto Michels

Não sei dizer a origem do apelido pelo qual era chamada.
Codinome imposto que ela odiava, mas a Pandorga andava sempre com um vestidinho de tecido bem fino, cuja  saia franzida, os  ventos nordeste ou de sul,  sempre levantavam.
Impropérios eram ditos a todos quantos a importunavam, caso insistissem  no apelido, o que era comum, nas suas viagens etílicas pela cidade.
Revisitava diariamente as ruas, onde na juventude fizera muitos favores, ao estilo de Maria, a de Magdala.
Um dia, ou melhor, uma noite, ela andava pelo cais do centro histórico, ali pelo Mercado Público e foi mirar-se nas águas. Quem sabe, tal qual Ismália, a de Alphonsus,
Edite descobrira uma lua no mar e fora até lá, voando naquela leveza própria das pipas.
 Aconteceu o inesperado, um peixe-rei encantou-se com a sua rabiola, saltou e vapt! A pequena criatura afogava-se na Lagoa Santo Antonio dos Anjos da Laguna!        
Usando túnica e capucho de cor marrom, caminhando sobre as águas, aquele moço bonito, o Antônio Fernando, que pregava aos peixes, percebeu tudo. Justamente ele, interrompeu seu sermão, correu e amparou a Pandorga em seus braços. Depressa a levou para uma nuvem bem alta, até que ela se refez.
Edite foi finalmente ter seu lugar de honra, naquela mesa.
Lá, onde felizes são os convidados. 
E assim, tipo o jeito que Irene, a de Bandeira, chegando ao andar de cima, a Pandorga foi logo entrando e dizendo:
- Licença, meu santo!
“E São Pedro bonachão:”
- Entra, Edite!
“Você não precisa pedir licença”


Maria de Fátima Barreto Michels é professora, poeta, e escritora, membro Presidente do grupo Carrossel das Letras de Laguna, SC.
Foto MJR
postagem Márcio José Rodrigues

segunda-feira, 6 de junho de 2011

BATISTA ABRAHÃO, UM PILOTO COM 7000 HORAS DE VOO


Banner colocado na barraquinha do avião, sensibilidade dos festeiros de 2011.

por Márcio José Rodrigues

Desde que me conheço por gente, jamais perdi uma festa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna.  Nos tempos de juventude, no calor das arrasadoras paixões, tão fulminantes como passageiras, nos dourados anos 60, os 13 dias da parte profana da festa eram realizadas ao ar livre nas noites frias de quase inverno no adro da matriz. Espaço grande abrigava uma dezena de barracas apenas cobertas com um toldo de pano colorido. O frio cortante não vencia o entusiasmo, nem as roupas novas que faziam das noites um eterno desfile de moda das moças lindas da próspera cidade. Quentão de vinho com pinhão, aqueciam o coração e  e o corpo e ajudavam a aproximar os enamorados. Num poste, um serviço de alto falantes rodava os vinis com músicas animadas e também as românticas. Dedicatórias, nem sempre encomendadas pelo galã anunciado, eram truques de amigos para, às vezes, fazer uma casal apaixonado desembuchar de vez.  " O jovem João Osvaldo Ferraz de Mello, dedica à senhorita Marília, "Encosta tua Cabecinha no meu ombro e chora", como prova de amor e carinho." E funcionava. Muitos casamentos começaram aí.
Havia porém, além de tudo, a barraca do aviãozinho conduzida por um cidadão, o Batista, alegre e comunicativo, a maior atração da quermesse. Um teco-teco de lata acionado  por possantes hélices de um motor elétrico, "voava" em círculos sobre uma mesa redonda com os números da sorte, distribuindo galinhas assadas ricamente embaladas em um prato de papelão com farofa,  envolto em papel celofane. Batista Abraão ( o nome verdadeiro era João José Abrahão) nunca arredou o pé daquela  barraquinha e daquele compromisso com a Igreja, por mais de meio século, em qualquer tempo e em qualquer circunstância. Os tempos mudaram e o aviãozinho de lata, foi substituído por um moderno jato DC 10 , mas o piloto adaptou-se maravilhosamente, sem qualquer transtorno. Envelheceu na carreira e jamais se aposentou, até que seu amigo Santo Antônio veio buscá-lo para uma viagem maior, mesmo porque o velho Batista já estava com saudades de certas pessoas.
Lembro-me dele, da minha juventude, das moças elegantes da festa, dos sonhos de uma época tão linda e me dou conta de como ele fez parte de nossas vidas.
Neste momento, ocorre-me um pensamento:
Acho que ele foi para o céu de avião!



Novo avião da barraquinha.  Batista foi o primeiro a pilotá-lo como um ás.

 João José Abrahão era homem de milhares de amigos. Sócio da loja  "A POPULAR - ACASA DA LINDA BAIANA", era nas horas de folga, um exímio churrasqueiro. Nos fins de semanan de descanso, pilotava também os espetos e sempre gratuitamente, em casamentos, aniversários, festas beneficentes, para a Igreja, a Maçojaria, o Centro Espírita, ou quem precisasse, sem distinção.  Era parte de um grupo formado por ele, o Batista, Atalibinha, Gonçalo, Onildo, Quido, Otavinho, os mais antigos. Não cobravam nada, mas bebiam cerveja como um carro pipa. Posso falar porque paguei este cachê no churrasco da minha despedida de solteiro.

CLUBE TRÊS DE MAIO TEM POSSE FESTIVA DE NOVA DIRETORIA

 por Márcio Rodrigues
Domingos Carvalho da |Rosa , José Alves Fernandes (Zé Mala) e André Bacha



Vice-presidente Orlando Vieira, Presidente Waldy Sant'Anna Junior  e  Orador Márcio. Rodrigues

Neste domingo, 5 de Maio, a SOCIEDADE RECREATIVA 3 DE MAIO, no seu 104º ano de atividade ininterrupta no bairro de Magalhães em Laguna, SC, empossou nova diretoria para o próximo biênio.
Após uma cerimônia simples, partindo de uma corretíssima prestação de contas, o Presidente ANTÔNIO SILVEIRA FILHO, entrega a associação com patrimônio acrescido, ausência de dívidas e recursos em caixa. 
Recebeu o posto,  WALDY SANT'ANNA JUNIOR,  que imediatamente deu posse aos membros dos diversos cargos da nova diretoria e delineou suas metas para o mandato.
Seguiu-se o tradicional coquetel com a participação de todos os presentes e membros da imprensa local.
O 3 DE MAIO, em meio à crise pela qual passam todos tipos de sociedade desse gênero, (clubes sociais constituídos por quadros de sócios aprovados por diretoria e pagamento de anuidades  -  que estão fechando para dar  lugar aos bailões do tipo pagou/entrou),   ao contrário, está em pleno desenvolvimento, aumentando seu espaço físico, com vista a investimentos direcionados aos jovens, como por exemplo, quadras esportivas, porquanto já possui um grande e suntuoso salão de bailes, boate, bar, restaurante e churrascaria, academia de ginástica, cancha de bocha in-door, sala de jogos, entre outros.
Continua promovendo festas e bailes tradicionais com programações diversas, bailes de carnaval, sempre muito concorridos congraçando as famílias que ainda procuram um local de encontros, saudável, respeitoso e seguro.
Qual o segredo da receita desse  sucesso que teima em afrontar os modismos?
Parece que a lisura e a honestidade têm sido a marca dos presidentes do Clube.
Algo simples assim.



A nova Diretoria



Ex-presidentes Jayson Domiciano, Antônio Silveira Filho com Dr. Juaci Ungaretti
 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A GREVE DOS PROFESSORES

PARA ONDE   VAI A EDUCAÇÃO?
SANTA CATARINA, PISO SALARIAL DO MAGISTERIO E
 ACHATAMENTO DO PLANO DE CARREIRA
por Márcio José Rodrigues

O  senhor Governador do Estado de Santa Catarina, ao tentar justificar sua posição em relação aos ajustes dos proventos do magistério estadual, como inexequível  financeiramente, não esclarece alguns pontos básicos e as conseqüências que deles advirão.
Vamos resumir de forma didática, para que principalmente, os professores dos níveis mais baixos na escala do plano decarreira, os pais dos alunos e os próprios alunos entendam as consequências a curto, médio e longo prazo.Do que se colhe da imprensa, deduzimos:

1. O governo quer pagar o piso salarial estipulado em lei. Palmas ao governo.

2. O governo, no entanto não leva em conta a proporcionalidade nos vencimentos e vantagens adquiridas por  aqueles que cursaram faculdade, fizeram pós-graduação, mestrado e até doutorado, ou seja, os melhores professores no quadro.

3. Deste posicionamento resulta um achatamento das remunerações próximas do piso salarial, ou com diferença quase insignificante, de um iniciante na carreira e com apenas o curso secundário, para um professor com doutorado ou mestrado, por exemplo.

4. O que justifica em parte, a continuidade da qualidade na educação, é o aperfeiçoamento do quadro do magistério devidamente apoiado em um "PLANO DE CARREIRA"  justo  e equilibrado.

5. Para que então , gastar dinheiro e tempo de vida a cursar uma faculdade e depois, pós-graduação,  mestrado e doutorado, se não existe nenhuma compensação em vista , nenhuma esperança de uma melhora razoável de vida pessoal  e familiar?

6. Os professores de menor graduação, fiquem atentos! 
Sem respeito a um plano de carreira, seu futuro na educação acaba aí mesmo, sem nenhuma perspectiva de melhora. Fazer faxina  4 horas por dia, sem estudar, preparar aulas, corrigir textos e provas, dá muito mais que isso, sem falar em ser vendedor autônomo, de roupas e cosméticos ( nada contra essas profissões tão dignas, mas que  não têm  nenhuma relação com a formação de jovens).

7.  Aos pais:
seus filhos serão condenados a estudarem em uma escola fraca e sem futuro. Talvez vocês derramem lágrimas emocionadas ao ver um deles receber o diploma, mas chorarão muito mais quando ele enfrentar as filas do desemprego, por incompetência.

8. Aos alunos:
o único caminho para o futuro da massa é a oportunidade de estudar em uma escola pública, de alta qualidade e gratuita, para todos os filhos do povo.  

9. Ao povo catarinense:
apoie a greve dos professores como justa e em defesa da educação e do estado. Não existe educação, se esta não for dirigida para a VERDADE, A JUSTIÇA e LIBERDADE. Como chegar a essa meta, na ignorância, sem ferramentas e material humano de alta qualidade?


10.  Ao Sr. Governador:  
Com todo o respeito e consideração devidos, peço-lhe,  escute um velho professor.  Não perca a oportunidade única de entrar para a verdadeira HISTÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, abraçando sem medo a causa da educação. Coroe seu mandato com a aprovação unânime desta geração e das futuras. Divida a HISTÓRIA  DA EDUCAÇÃO DE SANTA CATARINA , que o senhor recebeu, como  a ERA PRÉ-COLOMBIANA  e inaugure a era PÓS.
Como já se  disse na imprensa, para um bom serrano vale o dito: "O cavalo está encilhado e parou à sua porta". Com todo respeito, monte-o,  senhor Governador. Pode ser que ele não passe outra vez em sua vida.



quarta-feira, 1 de junho de 2011

LAGUNA - UMA CERIMÔNIA PITORESCA NA FESTA DE SANTO ANTÔNIO

 postagem texto e fotos por Márcio Rodrigues
Fotos 1 e 2  -  "A DESCIDA DE SANTOANTÔNIO"  do
altar mór









Na festa de Santo Antônio dos Anjos, celebrada há mais de três séculos em Laguna, no sul do Brasil, uma cerimônia singela, mas, com um forte componente místico e emocional, é a descida da imagem do padroeiro de seu nicho no altar mór da matriz, para assumir o lugar no andor em que ficará durante os treze dias que duram as celebrações. Durante a dificílima e delicada manobra de deslocar uma pesadíssima imagem barroca em madeira maciça e em tamanho natural, algumas peças como o resplendor de prata e o menino Jesus que ele traz ao colo, são separadas do conjunto.

É o momento em que o Menino recebe um delicado banho e sua roupa nova para a festa.
 Acompanhe nessas fotos feitas em 2005, algumas cenas muito interessantes e pitorescas.

Este é um momento raro de se ver o Menino Jesus "peladinho " e pronto para receber a roupa nova confecionada por Mércia Bárbara Rodrigues Barzan.
 
O Menino vestido com a "roupa nova", em delicada  Renda de Crivo em linho branco.

De volta ao colo do amigo.

Ainda com a "roupa velha", numa pausa para brincar com outro menino.


De roupa nova com Mércia Rodrigues Barzan, e pronto para a festa.

VENHA PARA LAGUNA
A FESTA COMEÇOU